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Ex-recordista da meia maratona suspenso sete anos por falhar controlo antidoping
Kibiwott Kandie assumiu a culpa por duas infrações ao regulamento e viu a moldura penal ser atenuada em um ano pela Unidade de Integridade do Atletismo após uma detalhada investigação tecnológica.
Por Redação
Publicado em 25/06/2026 17:41
Desporto
@Lusa

Redação, 25 jun 2026 (Lusa) — O fundista queniano Kibiwott Kandie, que já deteve o recorde planetário da meia maratona, foi punido com um afastamento de sete anos das competições. A sanção foi aplicada pela Unidade de Integridade do Atletismo (AIU) depois de o atleta ter reconhecido duas infrações às normas de combate à dopagem, avançou esta quinta-feira o organismo.

O corredor, de 30 anos, encontrava-se afastado de forma preventiva desde março de 2025. O tribunal desportivo considerou-o culpado por rejeitar voluntariamente fornecer fluidos para exames laboratoriais e, posteriormente, por tentar interferir e viciar o decorrer do processo de fiscalização.

A moldura penal base prevista para o conjunto destas violações totalizava oito anos de inatividade forçada — divididos equitativamente entre a fuga ao teste e a tentativa de fraude. Contudo, a AIU optou por reduzir a pena em doze meses devido ao facto de Kandie ter confessado os atos e aceitado o castigo de forma célere.

O atleta africano fixou-se na história da modalidade ao vencer por três vezes a prestigiada Meia Maratona de Valência (nas edições de 2020, 2022 e 2023), fixando em 2020 a então marca histórica mundial de 57.32 minutos. Atualmente, figura como o terceiro homem mais veloz de sempre nesta distância, sendo apenas superado por Jacob Kiplimo e Yomif Kejelcha, e detém duas das seis melhores marcas cronometradas da história.

O desfecho do processo colocou em evidência os novos métodos de perícia da AIU. As justificações apresentadas inicialmente pelo maratonista para fundamentar a sua ausência no controlo foram desmontadas após uma rigorosa auditoria informática ao seu telemóvel e às suas movimentações bancárias. Em cooperação com as entidades governamentais do Quénia, o organismo comprovou ainda que a documentação anexada pelo fundista para se defender era integralmente forjada.

O percurso do litígio começou com a suspensão provisória decretada a 14 de março de 2025. Já em pleno ano de 2026, a 6 de maio, a AIU juntou uma nova acusação formal por manipulação de provas, culminando agora na capitulação do atleta face às evidências coletadas.

"Este desfecho demonstra de forma clara que nenhum competidor, independentemente do seu estatuto, se sobrepõe às leis do atletismo. A AIU dispõe de um sistema avançado de testagem que monitoriza de forma implacável a elite mundial. Negar a realização de um exame coloca em causa a verdade desportiva. Possuímos valências forenses robustas e iremos sempre investigar até ao fim para que a justiça prevaleça", advertiu o diretor-executivo da instituição, o australiano Brett Clothier, em nota oficial.

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