Lisboa, 25 jun 2026 (Lusa) — O secretário-geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, manifestou esta quinta-feira uma forte oposição aos planos do Governo para a criação de um fundo soberano destinado a investir em áreas consideradas fulcrais para a economia, argumentando que a medida serve apenas para canalizar recursos financeiros dos contribuintes para as mãos de privados.
"O Executivo divulgou o plano de instituir um fundo soberano para assegurar a presença do Estado em companhias e setores vitais para a nação, esquecendo-se de que a própria governação PSD-CDS foi, noutros tempos, uma das maiores impulsionadoras da entrega dessas mesmas áreas de relevo ao capital privado", apontou o dirigente sindical em declarações à comunicação social, na capital.
As críticas do líder da central sindical foram proferidas durante um protesto de trabalhadores do Arsenal do Alfeite, realizado junto às portas da Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa.
Em causa está a proposta apresentada no último fim de semana pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, que prevê o nascimento de um fundo de investimento estatal direcionado para o reposicionamento público em áreas como a banca, os transportes aéreos, a energia e as telecomunicações.
Na perspetiva de Tiago Oliveira, esta estratégia constitui um contrassenso. "Alienou-se ao desbarato património público de grande valor. E agora o plano passa por transferir novamente para os privados milhões de euros, retirados do esforço de quem trabalha, para adquirir participações minoritárias. Isto não vai alterar em nada a capacidade real de decisão do Estado nessas administrações, mas vai, sem dúvida, subsidiar os privados", criticou. O sindicalista acrescentou ainda que esta medida representa uma falta de respeito por quem trabalha.
Quando questionado sobre as declarações da Ministra do Trabalho — que sugeriu que a tutela poderá insistir na reestruturação das leis laborais recentemente rejeitada na Assembleia da República —, Tiago Oliveira foi taxativo ao afirmar que esse pacote de medidas "está definitivamente enterrado" graças à forte mobilização dos trabalhadores.
"Estamos conscientes do perfil e das intenções deste Governo. Contudo, deixamos já um aviso claro: a CGTP e a classe trabalhadora já provaram aquilo que defendem para o futuro do país, e isso não passa pela perda de direitos ou pelo retrocesso social. Exigimos progresso e a valorização das condições laborais", concluiu, avisando que, caso o Governo decida governar alinhado com os interesses dos patrões, enfrentará a contestação nas ruas.