Lisboa, 25 jun 2026 (Lusa) — O emblemático grupo de rap Dealema agendou para o próximo mês de dezembro, na capital portuguesa, o espetáculo que assinala as suas três décadas de percurso musical e serve de montra para o seu mais recente trabalho discográfico, intitulado “96 ao infinito”.
"No dia 19 de dezembro, vamos subir ao palco do Capitólio para festejar convosco 30 anos de estrada e apresentar ao vivo o nosso novo álbum, entre muitas outras coisas", revelou o coletivo através de um comunicado conjunto partilhado nas plataformas digitais dos seus cinco integrantes: Mundo Segundo, Fuse, Maze, Expeão e DJ Guze.
A organização promete que a passagem por Lisboa se traduzirá numa "noite irrepetível, recheada de momentos marcantes, participações especiais e várias surpresas". Os ingressos para o evento já se encontram disponíveis, com um preço promocional de 20 euros até ao final de setembro, subindo depois para os 25 euros.
O arranque oficial destas comemorações aconteceu em fevereiro, com um concerto totalmente esgotado no Coliseu do Porto. Volvidos trinta anos desde os primeiros passos, e já muito perto da barreira dos 50 anos de idade, os músicos mantêm intactos "o mesmo fôlego, o desejo criativo e a paixão" que os movia no final da década de 1990, conforme destacou Maze em entrevista à Lusa no início do ano.
A contagem desta longevidade artística remonta a "Expresso do Submundo", a maquete inaugural gravada em formato de cassete e partilhada informalmente pelas ruas do Porto e de Vila Nova de Gaia, a terra natal do quinteto. Na altura, movidos pelo hip-hop que despontava em solo norte-americano, os então jovens chegaram a arriscar rimas em inglês sob o nome de Freestyle Assassins, antes de se fixarem definitivamente na língua portuguesa.
O percurso editorial do grupo ficou marcado pela independência. À exceção do disco de estreia homónimo, lançado em 2003 com a chancela da NorteSul (Valentim de Carvalho), todos os registos seguintes foram editados de forma autónoma. Na bagagem trazem obras de referência como “V Império” (2008), “A Grande Tribulação” (2011) e “Alvorada da Alma” (2013).
Agora, com o lançamento de “96 ao Infinito” — que quebra um hiato de 13 anos sem registos de originais —, os Dealema revisitam a sua matriz mais crua, com batidas orquestrais e foco na perícia técnica do rap de matriz underground, sem descurar abordagens reflexivas sobre a atualidade e novas estéticas sonoras. O título do projeto pisca o olho ao clássico "93 'Til Infinity", dos norte-americanos Souls of Mischief.
Apesar do longo período sem discos em conjunto, os membros nunca abandonaram os palcos nem a atividade criativa, dividindo-se em múltiplos projetos a solo e colaborações. O regresso aos estúdios em formato coletivo aconteceu de forma espontânea nos últimos dois anos, à margem das pressões do mercado, com Mundo Segundo a sublinhar o sentimento de pertinência que o grupo mantém em 2026, preenchendo um espaço vital no panorama do rap de mensagem em Portugal.