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Ir à casa de banho dá direito a corte no salário na Linha SNS24
Trabalhadores acusam operadora de desumanização e relatam turnos de 8 horas seguidas a atender chamadas sem qualquer paragem.
Por Redação
Publicado em 26/06/2026 15:06
Nacional
@Lusa

Os profissionais que asseguram o atendimento na Linha SNS24 — apontada como um dos pilares de acesso ao Serviço Nacional de Saúde — estão a sofrer penalizações financeiras sempre que interrompem o turno para satisfazer necessidades básicas. Gestos simples como ir à casa de banho, fazer uma refeição rápida ou descansar por breves instantes refletem-se em cortes diretos no ordenado. A denúncia partiu de vários operadores, a maior parte dos quais enfermeiros, que desempenham funções na plataforma subcontratada pela Altice.

Segundo avança o Jornal de Notícias (JN), estes profissionais, que falaram sob a condição de anonimato, relatam um quotidiano marcado pela precariedade contratual, monitorização severa e exaustão extrema. O sistema informático regista rigorosamente qualquer ausência do posto de trabalho, retirando do salário os minutos em que o operador não esteve ativamente disponível para receber chamadas.

"Caso decida fazer uma paragem de trinta minutos para almoçar, esse tempo é-me subtraído da remuneração. Esta política faz com que muitos colegas cumpram turnos contínuos de sete ou oito horas, sem sequer se levantarem para comer ou ir à casa de banho", confessou um dos lesados ao matutino.

Outro colaborador classificou o ambiente laboral como "incomportável", lembrando as implicações desta gestão rígida no dia a dia. "Beber água ou ir à casa de banho traduz-se em perda de dinheiro. Não somos robôs. Qualquer funcionário necessita de períodos mínimos de descanso, não só para salvaguardar a sua própria saúde, mas também para assegurar a lucidez e a qualidade exigidas na triagem de doentes", argumentou em declarações ao JN.

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