Santo Tirso, Porto, 26 de junho de 2026 (Lusa) — O Tribunal da Relação do Porto aceitou o recurso apresentado pelo Ministério Público e decidiu que o atual presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Alberto Costa, terá mesmo de responder em julgamento. O mesmo cenário aplica-se aos antigos vereadores socialistas José Pedro Machado e Tiago Araújo, todos acusados de crimes de abuso de poder e peculato.
A deliberação da Relação, tomada a 17 de junho, vem anular a decisão da fase de instrução de 11 de fevereiro. Nessa data, o juiz do caso tinha optado por arquivar o processo e não pronunciar os políticos, alegando falta de provas suficientes e sustentando que uma absolvição seria o desfecho mais provável. Contudo, os juízes conselheiros deram provimento ao recurso da acusação.
Em cima da mesa está um alegado esquema que se arrastou entre julho de 2017 e abril de 2019, período em que Alberto Costa exercia o cargo de vice-presidente da autarquia. Segundo a tese da acusação, os arguidos terão traçado uma estratégia conjunta para usarem frotas públicas em proveito próprio, efetuando deslocações ao supermercado, jantares em restaurantes e passeios "como se tais veículos lhes pertencessem".
O processo criminal conta com dezenas de passagens na Via Verde registadas fora do horário laboral, nomeadamente em feriados, madrugadas e fins de semana. Para o procurador do Ministério Público, os arguidos usavam os automóveis do município "para tudo".
Apesar da investigação, Alberto Costa (PS) foi reeleito nas autárquicas e mantém-se na chefia da autarquia do distrito do Porto. Por sua vez, José Pedro Machado lidera atualmente a Junta de Freguesia de Santo Tirso, enquanto Tiago Araújo já se encontrava afastado das listas do atual executivo.