Lisboa, 27 de junho de 2026 (Lusa) — A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançou duras críticas ao Executivo, acusando-o de fomentar o "depósito de crianças" ao avançar com apoios financeiros para creches que funcionem mais do que 11 horas por dia. Para a organização sindical, a prioridade do Estado deveria ser a criação de mecanismos que permitam aos pais conciliar a carreira com a vida familiar, e não o prolongamento do tempo de permanência dos filhos nas instituições.
A contestação surge após o Governo ter anunciado um reforço no financiamento das creches dos setores privado, social e solidário que adotem estes horários alargados. A tutela justificou a decisão com a necessidade de dar maior suporte às famílias, mas a Fenprof argumenta que a medida vai afastar os agregados familiares por períodos excessivos, falhando na promoção de condições dignas para a parentalidade.
Em comunicado, a federação alertou que esta estratégia acaba por validar e perpetuar a precariedade no mercado de trabalho, os ordenados baixos e a desregulação dos horários laborais dos pais. Os docentes defendem que manter os bebés mais tempo na creche prejudica o desenvolvimento emocional e a criação de laços afetivos seguros, além de desrespeitar as necessidades específicas de descanso e nutrição na faixa etária até aos três anos.
A Fenprof exige, em alternativa, o investimento numa rede de creches pública, universal e gratuita, a par de reformas que garantam tempo de qualidade entre pais e filhos. A estrutura sindical relembrou ainda que o país continua a debater-se com uma grave escassez de vagas e com a sobrelotação das salas, um cenário onde o rácio entre funcionários e crianças é claramente insuficiente e que já transforma, por si só, estes espaços em "verdadeiros depósitos".