Lisboa, 27 de junho de 2026 (Lusa) — O canal de televisão por cabo Conta Lá, fundado no ano transato, vai avançar de imediato com um processo de lay-off (suspensão temporária de contratos ou redução da carga horária) para tentar travar o colapso financeiro da estação. A medida surge num cenário de asfixia financeira em que a maioria dos trabalhadores se encontra com salários em atraso.
A decisão foi comunicada formalmente à equipa através de uma mensagem eletrónica enviada na sexta-feira pelo presidente executivo da empresa, Sérgio Figueiredo, à qual a Agência Lusa teve hoje acesso. No texto, o administrador refere que o projeto deverá conseguir novos meios de financiamento a partir de 15 de setembro para retomar os investimentos, mas assume que a prioridade atual é garantir a sobrevivência da empresa nos meses de verão.
Segundo a comissão executiva, o recurso ao lay-off foi eleito por ser uma alternativa reversível que evita o cenário drástico de um despedimento coletivo, protegendo tanto a estrutura do canal como o vínculo dos funcionários. "Temos de voltar a ser menos, para voltarmos a ser mais", sintetizou o líder do projeto.
O antigo diretor de informação da TVI justificou o incumprimento salarial relativo ao mês de maio com a total ausência de fundos na empresa, explicando que a administração apenas conseguiu liquidar os vencimentos de cerca de 40 colaboradores. Embora existam promessas de verbas para o início do mês, Sérgio Figueiredo estabeleceu o dia 31 de julho como a data realista para regularizar todas as remunerações e prestações de serviços em falta.
Diante da gravidade da situação, a direção do canal assumiu que não pode exigir o cumprimento normal de funções a profissionais que não estão a receber. Por esse motivo, os colaboradores foram informados de que ficam totalmente isentos de se apresentarem ao trabalho ou cumprir obrigações contratuais já a partir desta segunda-feira. A empresa comprometeu-se ainda a facilitar os processos de rescisão amigável dos trabalhadores que queiram procurar alternativas imediatas no mercado.
Para as próximas 12 semanas, a prioridade passa por reestruturar a grelha de programação de forma a manter o canal no ar com conteúdos de baixo custo que mascarem a crise interna. O Conta Lá foca a sua atividade no jornalismo de proximidade e em emissões dedicadas às várias regiões do país. O regime de lay-off prevê que a Segurança Social assegure uma percentagem significativa da remuneração dos trabalhadores afetados. Até ao momento, não foi possível obter declarações adicionais de Sérgio Figueiredo.