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Fenprof considera “inaceitável” demissão do Governo pelo “caos” nos exames
A federação sindical denuncia falhas graves na distribuição digital das provas e exige explicações imediatas ao Ministério da Educação para salvaguardar a credibilidade do processo.
Por Redação
Publicado em 28/06/2026 11:01
Nacional
@Lusa

Lisboa, 28 de junho de 2026 (Lusa) — A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou duramente este domingo a postura do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, classificando como "inaceitável" a falta de assunção de responsabilidades da tutela face às perturbações verificadas na organização e correção dos exames nacionais do ensino secundário.

Em comunicado oficial, a estrutura sindical revelou estar a concentrar um volume expressivo de queixas por parte dos docentes corretores. Entre as anomalias detetadas, a Fenprof aponta casos de professores convocados por estabelecimentos de ensino onde já não trabalham, docentes que já se encontram na reforma a receber ordens de serviço e professores destacados para avaliar disciplinas que nunca lecionaram ao longo da carreira.

A par destes erros logísticos, o sindicato reporta falhas generalizadas nos sistemas informáticos, traduzidas em atrasos crónicos na disponibilização dos exames digitalizados, documentos incompletos e páginas truncadas. A estrutura liderada por Mário Nogueira sublinha a gravidade da situação, referindo que há equipas inteiras de classificadores sem acesso a exames em condições adequadas de leitura.

A Fenprof fez questão de lembrar que, embora mantenha uma postura ideologicamente cética quanto à eficácia dos exames nacionais como método de avaliação, exige que o Estado assegure o "absoluto rigor, transparência e equidade" enquanto o modelo vigorar. O sindicato recusa que a tutela se escude em entidades intermédias para justificar o sucedido.

"O Governo não pode esconder-se", argumenta a federação, acrescentando que a tutela deve esclarecer quem validou este novo modelo de transição administrativa e quem assume os custos reputacionais de uma falha que afeta o futuro de milhares de estudantes. A Fenprof contesta ainda o argumento financeiro do Executivo, defendendo que a apregoada poupança de milhões de euros resultou, afinal, numa "degradação do serviço público".

Esta polémica surge na sequência da decisão do Júri Nacional de Exames (JNE) em reajustar o calendário de correções, mantendo, contudo, o dia 10 de julho como data limite para a publicação das notas. O problema tornou-se público após atrasos na entrega das credenciais digitais aos docentes que iam avaliar a prova de Português do 12.º ano. O JNE admitiu a existência de "dificuldades técnicas" no modelo pioneiro de correção digital, garantindo que se encontra a trabalhar na sua resolução.

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