Sintra, Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) – O ministro da Defesa Nacional revelou hoje que os antigos combatentes das duas companhias do Regimento de Comandos que assumiram o papel principal nos eventos do 25 de Novembro de 1975 vão ser oficialmente galardoados durante as celebrações oficiais deste ano.
O anúncio público foi feito por Nuno Melo em Sintra, durante a sua intervenção na sessão solene que assinalou o 64.º aniversário dos Comandos e o encerramento do 145.º Curso de Comandos.
O governante sublinhou que, embora se tenha começado a "fazer alguma justiça" histórica sobre a efeméride cinco décadas depois, o reconhecimento institucional ao corpo de Comandos permanecia "incompleto". "Até hoje, estes heróis nunca foram agraciados com a solenidade que o Estado lhes deve. Quero por isso anunciar-lhes que no próximo dia 25 de novembro de 2026, coletivamente ou individualmente, os Comandos que integraram as duas companhias protagonistas dos acontecimentos serão distinguidos", afirmou, clarificando que a atribuição também será estendida a título póstumo aos militares já falecidos.
No seu discurso, Nuno Melo classificou a ação militar de 1975 como "talvez o maior legado dos Comandos" e o momento exato em que as promessas iniciais da Revolução dos Cravos de 1974 foram resgatadas. Segundo o governante, foi graças à intervenção militar da Amadora que a democracia representativa prevaleceu sobre o Processo Revolucionário em Curso (PREC).
"O poder foi devolvido ao povo para que através do voto expresso cada um pudesse decidir livremente o seu destino", vincou o governante, lembrando o fim de um período marcado por saneamentos, ocupações e detenções arbitrárias através de mandados em branco. O ministro enalteceu as figuras dos generais António Ramalho Eanes e Jaime Neves, evocando também o sacrifício supremo do tenente José Coimbra e do furriel Joaquim Pires.
À margem do evento, confrontado pela comunicação social, o responsável pela pasta da Defesa esclareceu que a comissão liderada pelo general Alípio Tomé Pinto ainda está a avaliar as formalidades jurídicas para definir se as medalhas e insígnias serão entregues individualmente a cada veterano ou de forma coletiva às unidades envolvidas na contra-ofensiva que travou a sublevação de cerca de mil paraquedistas desalinhados em Monsanto e nas bases aéreas nacionais.