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Diretores rejeitam responsabilidades nas falhas relacionadas com a correção dos exames
Associação de líderes escolares acusa o Ministério da Educação de tentar sacudir a culpa do "caos" tecnológico e organizacional para cima das escolas.
Por Redação
Publicado em 29/06/2026 15:28
Nacional
@Lusa

Lisboa, 29 de junho de 2026 (Lusa) — A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep) veio hoje a público demarcar-se por completo das falhas graves que estão a afetar a classificação dos exames nacionais. Em comunicado, a estrutura lamentou aquilo que considera ser uma tentativa por parte da tutela de sacudir a culpa dos problemas para cima das administrações escolares.

A tomada de posição surge em resposta direta à nota divulgada no último sábado pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e pelo Júri Nacional de Exames (JNE). Nesse esclarecimento, os organismos centrais sugeriram que os erros nas listas de classificação decorreram da má qualidade dos dados enviados pelas escolas na altura de identificar os professores de cada disciplina.

A liderança dos diretores garante que todas as secretarias escolares cumpriram rigorosamente os prazos e as ordens emanadas superiormente. Segundo a Andaep, as falhas na distribuição das provas têm raízes exclusivamente "tecnológicas e organizacionais", sendo da inteira responsabilidade da entidade que desenhou e operacionalizou o novo modelo de avaliação digital. A associação sublinha que é inaceitável que o Governo tente gerar "intranquilidade" e empurrar culpas em vez de resolver os problemas do sistema.

O braço de ferro entre os diretores e o Ministério da Educação adensa-se num dia marcado por fortes protestos do setor. Sindicatos e plataformas cívicas denunciam um ambiente de "caos absoluto", reportando mais de meia centena de anomalias graves através do portal "Exames 2026: O caos documentado". Entre os episódios registados contam-se atrasos informáticos no acesso aos testes e a convocação errática de docentes de outras áreas, professores aposentados e até profissionais já falecidos.

Perante a falta de condições técnicas e a pressão dos prazos, o movimento Missão Escola Pública reagiu e disponibilizou hoje uma minuta jurídica para que os professores classificadores possam apresentar uma "escusa de responsabilidade". O objetivo é salvaguardar legalmente os docentes, alegando que o atual modelo não oferece garantias para uma avaliação justa e rigorosa do trabalho dos estudantes.

O JNE continua a assegurar que os constrangimentos estão "em fase de recuperação", mas os professores correm contra o relógio. Embora as provas tenham sido feitas em papel, este é o primeiro ano em que a correção é feita em formato totalmente digital, um processo que tem de ficar fechado até 10 de julho para que as notas da primeira fase saiam a 14 de julho, viabilizando o arranque das candidaturas ao Ensino Superior no dia 20 do mesmo mês.

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