Lisboa, 29 jun 2026 (Lusa) — O líder do Chega responsabilizou esta segunda-feira, em igual medida, o PSD e o PS pela atual gestão dos fluxos migratórios em Portugal, sustentando que o verdadeiro teste de consistência política para os sociais-democratas terá lugar na próxima sexta-feira, dia em que o Parlamento votará a reapreciação do diploma sobre a destituição da nacionalidade. André Ventura falava em conferência de imprensa na sede central do partido, após uma sessão de trabalho com os coordenadores do seu "Governo sombra" afetos às pastas da Segurança e da Justiça. O dirigente partidário fundamentou as suas críticas nos recentes indicadores demográficos publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam para um universo populacional residente na ordem dos 11,4 milhões de cidadãos, impulsionado por um forte ciclo de imigração registado entre os anos de 2021 e 2025.
Segundo a perspetiva de Ventura, ambas as forças partidárias tradicionais partilham o mesmo grau de culpa, evocando o exemplo prático da aprovação do Pacto para as Migrações e Asilo em sede europeia, uma medida que contou com o voto favorável das famílias políticas do PS e do PSD na Europa, merecendo oposição convicta do Chega e dos seus aliados internacionais. Dirigindo o foco especificamente para o partido que suporta o Executivo, o líder do Chega defendeu que a bancada parlamentar do PSD terá de se definir face à votação do decreto que visa alterar o Código Penal para aplicar a perda de nacionalidade a cidadãos naturalizados que perpetrem delitos de extrema gravidade. O diploma em causa surge neste debate após ter merecido um veredicto unânime de inconstitucionalidade por parte do Tribunal Constitucional, por desrespeito pelos preceitos de igualdade e proporcionalidade.
Perante o cenário legislativo que se avizinha, Ventura alertou que a opção do PSD face a crimes de terrorismo, violação ou homicídio demonstrará que visão de país defende a liderança social-democrata, sublinhando que uma rejeição deste mecanismo esvaziará qualquer argumentação do PSD contra as políticas migratórias do PS. No mesmo fórum, o líder da oposição rebateu as declarações do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que tinha sugerido uma relação de instabilidade permanente e alternância estratégica entre o Governo e o Chega, contrapondo que foi a bancada socialista a viabilizar dossiers vitais como o Orçamento do Estado e a Prestação Social Única. No encerramento da sua intervenção, André Ventura traçou as prioridades do Chega para a Justiça, destacando o agravamento penal para criminalidade violenta, a contenção de recursos protelatórios e a eliminação de penas suspensas para infrações severas.