Lisboa, 30 jun 2026 (Lusa) — A Federação Portuguesa de Nadadores Salvadores (Fepons) emitiu esta terça-feira um aviso sério relativamente ao forte crescimento da probabilidade de acidentes por afogamento ao longo das próximas jornadas, associado ao pico de calor previsto para o território nacional. A organização que representa os profissionais do salvamento aquático dirigiu uma solicitação formal às instâncias governamentais e de proteção civil para que integrem este perigo específico nos canais de comunicação e alertas oficiais direcionados aos cidadãos. A estrutura associativa recorda que o histórico recente de vagas de calor extremo noutros pontos do continente europeu comprova que a subida drástica dos termómetros empurra massivamente as populações para zonas de banhos, como cursos de água, albufeiras, lagoas e estâncias balneares costeiras ou interiores, multiplicando as ocorrências trágicas principalmente em perímetros desprovidos de vigilância ativa.
Para mitigar este cenário de vulnerabilidade, a Fepons formulou um conjunto de orientações práticas, recomendando prioritariamente a escolha exclusiva de praias e piscinas que contem com a presença de nadadores-salvadores, desaconselhando em absoluto as atividades balneares em rios ou barragens desconhecidas. O protocolo de segurança sugere que os banhistas evitem entrar na água sozinhos e reforça a obrigação de manter uma supervisão constante e próxima sobre as faixas etárias mais jovens, devendo as crianças permanecer sempre ao alcance imediato de um adulto. Os especialistas alertam ainda para o perigo de realizar saltos em zonas de profundidade incerta e condenam o consumo de bebidas alcoólicas antes ou durante os períodos de permanência na água, sublinhando que o stress térmico provocado pelo calor intenso funciona como um catalisador para choques térmicos e síncopes.
A urgência deste apelo ganha contornos dramáticos perante os cenários internacionais, registando-se já mais de meia centena de óbitos por afogamento em França devido à onda de calor que fustiga aquele país. Em solo nacional, o Observatório do Afogamento da federação revelou recentemente que 57 pessoas perderam a vida em meios aquáticos até ao final do mês de maio de 2026, um indicador estatístico quase idêntico ao recorde negativo fixado no período homólogo de 2024. Este quadro de risco coincide com os avisos severos emitidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que antecipa máximas extremas a rondar os 43 graus Celsius nas bacias do Tejo e do Alentejo a partir de quarta-feira, forçando a ativação do nível de alerta laranja e o consequente alastramento das medidas de contingência às regiões de Lisboa, Setúbal, Santarém e Leiria até ao final da semana.