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Operação Marquês: José Sócrates classifica “histórica” condenação do Estado
O ex-primeiro-ministro reagiu à decisão judicial que obriga o Estado a pagar-lhe uma indemnização por quebra do segredo de justiça, sublinhando o valor simbólico do veredicto sobre o processo paralelo nos media.
Por Redação
Publicado em 30/06/2026 12:55 • Atualizado 30/06/2026 13:50
Nacional
@Lusa

Ericeira, Mafra, 30 jun 2026 (Lusa) — O antigo chefe do Executivo português José Sócrates rotulou esta terça-feira como um marco histórico a decisão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa que sentenciou o Estado ao pagamento de uma compensação financeira de 15 mil euros, fundamentada em falhas graves na gestão do aparelho judicial no âmbito da Operação Marquês. O acórdão, lavrado no passado sábado, estipula o ressarcimento do ex-governante face aos impactos e prejuízos causados pela fuga e partilha de dados confidenciais protegidos por sigilo legal por parte de estruturas públicas ao longo da fase de inquérito. Numa conferência de imprensa realizada na Ericeira, concelho de Mafra, o antigo líder socialista evidenciou que se trata da primeira condenação estatal por atropelos ao segredo de justiça em Portugal, conferindo um caráter profundamente emblemático à decisão.

Na base deste litígio esteve a cobertura mediática detalhada que antecipou a detenção de José Sócrates no aeroporto da capital, em novembro de 2014, bem como a divulgação pública dos indícios criminais imputados, numa janela temporal em que os dados da investigação eram exclusivamente do conhecimento do Ministério Público, do magistrado de instrução e da máquina fiscal. Na fundamentação da sentença, a juíza Daniela Santos Costa realçou que, embora permaneça anónima a identidade do autor das fugas, é legítimo deduzir que as informações tenham sido partilhadas por elementos envolvidos diretamente nos meandros da investigação. A magistrada sustentou que tais violações fragilizaram os mecanismos de salvaguarda da defesa do visado e agrediram a sua esfera pessoal, reputação e dignidade enquanto figura que liderou os destinos políticos do país entre 2005 e 2011.

Em reação a estas conclusões, o antigo primeiro-ministro dirigiu críticas aos autores das fugas de informação, comparando a sua conduta à de criminosos e acusando-os de pretenderem alimentar um julgamento popular paralelo nas páginas dos jornais e nas emissões televisivas, à margem das garantias constitucionais de defesa. A batalha jurídica tinha sido acionada por José Sócrates em fevereiro de 2017, tendo subido a julgamento em meados de maio de 2026, com uma exigência indemnizatória global na ordem dos 205 mil euros que englobava também queixas pela morosidade processual — item no qual o Estado acabou por ser ilibado. Confrontado com a disparidade entre o valor reclamado e a verba arbitrada, o ex-governante rejeitou motivações pecuniárias, assegurando que o foco esteve sempre na penalização institucional do Estado e não no aspeto financeiro.

A investigação que deu origem à Operação Marquês teve início no ano de 2013, ganhando contornos públicos com as detenções no final de 2014 e culminando na dedução de acusação formal pelo Ministério Público em outubro de 2017. Após uma etapa de instrução que se estendeu por mais de 24 meses, a fase de julgamento propriamente dita — que senta no banco dos réus o antigo governante e mais duas dezenas de arguidos por suspeitas de corrupção e crimes económico-financeiros — teve o seu arranque oficial em 3 de julho de 2025 nas instâncias do Tribunal Central Criminal de Lisboa, encontrando-se ainda em fase de produção de prova com dezenas de testemunhas por inquirir.

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