O cenário repete-se há vários anos e voltou a intensificar-se esta semana com a forte vaga de calor que atinge o país: os passageiros do Metro do Porto enfrentam diariamente temperaturas sufocantes no interior das carruagens. As falhas sistemáticas e a falta de eficácia do ar condicionado — que em muitos casos chega a expelir ar quente — estão a transformar as viagens num verdadeiro tormento para utentes frequentes e turistas.
Os maiores problemas registam-se nos veículos Eurotram, as composições mais antigas da frota, com cerca de 25 anos de serviço. Segundo admitiu a própria operadora, os sistemas de climatização destes veículos atingem o seu limite técnico de funcionamento sempre que as temperaturas exteriores ultrapassam os 35 graus Celsius. Como o ar condicionado perde totalmente a eficácia nestes picos de calor, as linhas Azul (Matosinhos), Amarela (Gaia) e Laranja (Gondomar) têm sido as mais fustigadas pelo desconforto térmico. De resto, as avarias e fragilidades ligadas à climatização já obrigaram mesmo à paragem forçada de 25 composições para intervenções de manutenção nas últimas horas.
Perante o mal-estar generalizado e o aumento das reclamações, a Metro do Porto viu-se obrigada a avançar com medidas de contingência. Está atualmente em fase experimental um novo sistema na Linha Azul que consiste na injeção mecânica de ar frio nas carruagens sempre que estas chegam à estação terminal de Senhor de Matosinhos. O objetivo é refrescar o interior das composições antes de estas iniciarem uma nova viagem na rede, estando em cima da mesa o alargamento da solução a outras linhas caso os resultados sejam positivos.
Enquanto as soluções definitivas não chegam — condicionados pela complexidade e elevados custos de substituição total do sistema de climatização dos 72 comboios antigos —, o desconforto altera as rotinas de quem viaja. Entre os utilizadores, há já turistas a admitir abdicar do transporte público em prol de plataformas de transporte privado (como a Uber) no regresso das praias de Matosinhos, justificando que o custo extra compensa face ao sufoco vivido nos carris.
Com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a estender o aviso vermelho devido às temperaturas extremas, a transportadora assegura ter reforçado a manutenção preventiva, numa altura em que se multiplicam os apelos dos passageiros por uma renovação célere da frota.
Fonte -Lusa