Moscovo, 05 jul 2026 (Lusa) — O Governo de Moscovo reiterou este domingo que as recentes operações militares da Ucrânia têm como alvo estruturas estritamente civis, rejeitando que os ataques afetem a sua capacidade bélica. A posição oficial surge num momento em que o país lida com falhas na distribuição de combustível, que a liderança russa recusa associar às investidas de Kiev.
Em entrevista à estação televisiva Vesti, o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, acusou o governo ucraniano de praticar "atos terroristas" ao visar a rede energética e infraestruturas públicas sem ligação à Defesa. Peskov argumentou que Kiev intensificou estas ações em solo russo devido a uma suposta degradação das posições ucranianas na linha da frente, onde garante que o exército de Vladimir Putin continua a conquistar terreno. Para travar estas incursões, o porta-voz sugeriu mesmo a criação de uma "zona de contenção" dentro das fronteiras da Ucrânia.
Contudo, o discurso oficial de que a escassez de combustível se deve apenas a um pico temporário no consumo é contrariado pelos factos económicos. Segundo revelou o jornal moscovita Vedomosti, a Rússia foi forçada a importar um volume recorde de 141.000 toneladas de gasolina da Bielorrússia no mês de junho — um número significativamente superior às escassas 1.000 toneladas registadas no mesmo período do ano passado. Para socorrer Moscovo, a Bielorrússia desviou carregamentos que tinham como destino a Ásia Central, uma solução que os analistas consideram insuficiente para colmatar os estragos provocados pelos bombardeamentos ucranianos nas refinarias russas, especialmente no verão, quando o consumo interno dispara para as 110.000 toneladas diárias.
A necessidade de reabastecimento externo já levou o Kremlin a admitir conversações com outros mercados, existindo relatos na imprensa internacional de um entendimento para a compra de gasolina à Índia. Esta crise de combustíveis na Rússia começa também a provocar um efeito dominó na região: o Quirguistão, país da Ásia Central que depende em 90% dos combustíveis russos, já emitiu um pedido de ajuda urgente à Bielorrússia e a Estados vizinhos para garantir as suas próprias reservas face à quebra no fornecimento habitual de Moscovo.