Vilar de Mouros, Caminha, 05 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP exigiu este domingo que o Governo assuma a responsabilidade e assegure o total salvaguardo dos estudantes afetados pelas graves falhas informáticas na classificação digital dos exames nacionais. Paulo Raimundo acusou a tutela de tentar "sacudir a água do capote" perante aquilo que apelidou de uma "trapalhada" institucional.
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma iniciativa política da CDU no distrito de Viana do Castelo, o líder comunista sublinhou que a culpa do atual cenário não pode ser imputada aos docentes. "Isto é um problema de fundo, estrutural, do processo que é da responsabilidade única e exclusiva do Governo. Nem os professores podem ser injustamente acusados e, talvez até mais determinante, nenhum aluno pode ser prejudicado", vincou, acrescentando que, de momento, não existem garantias nenhumas de que os jovens do 11.º e 12.º anos saiam ilesos desta "gestão calamitosa".
O mal-estar surge após a estreia, este ano, do modelo de digitalização das mais de 300 mil provas realizadas no ensino secundário. O processo tem sido alvo de duras críticas por parte dos professores, que relatam bloqueios no sistema, impossibilidade de aceder aos critérios de avaliação e receção de exames com respostas incompletas. Embora o movimento S.O.S. Escola Pública acuse o ministro da Educação de faltar à verdade sobre a real escala do problema, a tutela acabou por ceder e adiar todo o calendário de divulgação de notas e de realização da segunda fase de exames.
Com o novo cronograma oficializado na sexta-feira pelo ministro Fernando Alexandre, o prazo para os professores avaliarem as provas foi estendido até 14 de julho, empurrando a afixação dos resultados para o dia 17. Consequentemente, a segunda fase das provas nacionais — inicialmente agendada para arrancar a 16 de julho — foi reagendada para o período entre a tarde de 20 de julho e o dia 24 do mesmo mês.