O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, lançou um aviso contundente sobre a urgência de criar um quadro regulatório internacional para supervisionar o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA). Num apelo global, o líder da ONU sublinhou que, embora a tecnologia ofereça um potencial imenso para o progresso humano, o ritmo atual da sua evolução sem a devida governação acarreta perigos sistémicos profundos.
Segundo Guterres, a ausência de diretrizes éticas e de mecanismos de controlo partilhados entre as nações abre a porta à disseminação massiva de desinformação, à violação da privacidade dos cidadãos e à potenciação de ciberataques. O Secretário-Geral defendeu que o ecossistema tecnológico não pode guiar-se apenas pelas leis do mercado ou pelos interesses isolados de grandes empresas privadas, exigindo uma concertação multilateral.
A proposta da liderança da ONU passa pelo envolvimento ativo de governos, cientistas e gigantes de Silicon Valley na criação de uma agência ou comité internacional de supervisão, semelhante ao que já acontece noutros setores críticos, como a energia nuclear. O objetivo prioritário será garantir que os algoritmos e os modelos generativos sirvam o bem comum e respeitem os direitos humanos fundamentais.
O apelo surge num momento de forte pressão internacional, à medida que várias potências globais correm para liderar a corrida tecnológica, aumentando o fosso digital e o risco de uma nova "guerra fria" focada no domínio computacional.
Fonte - LUSA