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Cerca de 1.500 pessoas em manifestação contra falta de água na Costa de Caparica, em Almada
Cordão humano transforma-se em desfile sob forte vigilância policial; moradores indignados exigem a demissão de Inês de Medeiros e Bloco e Livre exigem explicações no Parlamento.
Por Redação
Publicado em 09/07/2026 06:38
Sociedade
@Lusa

Almada, Setúbal, 09 jul (Lusa) — Uma multidão de aproximadamente 1.500 pessoas saiu esta quarta-feira à rua, na Costa de Caparica, para protestar contra as sucessivas falhas no abastecimento público de água. O descontentamento popular subiu de tom, com os manifestantes a exigir soluções imediatas e a pedir a demissão da presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros.

A iniciativa popular estava desenhada para ser um cordão humano estático, mas a forte adesão acabou por transformá-la num desfile que ligou o Centro Comercial O Pescador à rotunda de acesso ao IC21, num percurso acompanhado de perto por um forte contingente da GNR. "Inês para a rua, Almada não é tua" foi um dos cânticos mais repetidos ao longo do protesto, apontando a liderança socialista da autarquia como a principal culpada pelo colapso da rede hídrica.

Entre os participantes, o sentimento era de exaustão. João Paulo, morador em Santo António da Caparica, classificou o cenário das últimas semanas como "insuportável", acusando o executivo municipal de incompetência e de "incúria" por não ter aproveitado os fundos europeus disponíveis para modernizar as infraestruturas de distribuição. No seu entender, a autarca perdeu as condições políticas para se manter no cargo.

Também Márcia Tavares, residente na Costa de Caparica há três décadas, expressou a sua revolta, lembrando que a população enfrentou dias consecutivos sem uma gota de água em períodos com termómetros a rondar os 40 graus. A moradora alertou para o drama vivido por idosos, crianças e lares da região, sugerindo que, a haver cortes inevitáveis, estes deveriam ser geridos de forma rotativa pelas várias freguesias para não penalizar sempre as mesmas zonas. O desespero foi partilhado por testemunhos como o de Ana Paula Gonçalves, que criticou a degradação antiga das tubagens, e o de Maria Manuela, de 80 anos, que confessou passar as noites em claro à espera do sinal sonoro do enchimento do autoclismo para conseguir armazenar alguma água.

O protesto contou com o apoio e a presença de figuras da política nacional. O deputado do Livre, Paulo Muacho, deslocou-se ao local para manifestar solidariedade e anunciou que o seu partido já avançou com pedidos de audição parlamentar urgente para confrontar Inês de Medeiros, a administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e a ERSAR (entidade reguladora do setor). Do mesmo modo, o deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, marcou presença para defender que o acesso à água é um direito humano básico, exigindo total transparência na informação prestada aos munícipes e uma aceleração urgente dos investimentos na rede para evitar que a crise se repita.

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