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PS exige ouvir ministro da Educação e EDuQA na AR sobre classificação dos exames
Eurico Brilhante Dias assume que audições antes das férias são improváveis, não descarta comissão de inquérito e acusa Luís Montenegro de "insensibilidade atroz" perante as famílias.
Por Redação
Publicado em 09/07/2026 21:53
Nacional
@Lusa

Lisboa, 09 jul 2026 (Lusa) — O Partido Socialista pretende levar ao Parlamento o ministro da Educação, Fernando Alexandre, e os responsáveis pelo EDuQA (organismo que sucedeu ao antigo IAVE) para prestarem esclarecimentos sobre as graves falhas na correção dos exames nacionais. O anúncio foi feito pelo líder da bancada socialista, que, no entanto, admitiu reservas quanto à rapidez do processo.

"Queremos ouvir o senhor ministro, quereremos ouvir outras entidades envolvidas neste processo, quer o EDuQA (...), entre outras entidades. Quereremos ouvir e convidar entidades externas que foram fornecedoras deste processo", detalhou Eurico Brilhante Dias em declarações à Lusa. Apesar da forte intenção de escrutínio, o líder parlamentar do PS reconheceu o curto espaço de manobra temporal, deitando por terra as pretensões do PCP e do Livre, que exigiam uma audição imediata: "Parece-nos particularmente difícil que venham a ocorrer neste momento".

A fasquia da penalização política poderá, contudo, subir após as férias de verão. Brilhante Dias revelou que os socialistas vão ponderar mais à frente se o caos instalado nas escolas justifica a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito, uma medida já sugerida pelo Bloco de Esquerda.

Para já, o principal partido da oposição foca as atenções no dia 17 de julho, a nova data limite estipulada para a publicação oficial das pautas dos estudantes do secundário. O líder parlamentar socialista deixou um aviso direto à tutela: "Esperemos que esse calendário se cumpra (...), mas volto a dizer: uma mensagem de tranquilidade e de confiança e que o senhor ministro que se dedique a resolver os problemas que criou".

As críticas do PS não se fixaram apenas na pasta da Educação, cujas justificações foram consideradas "absolutamente insuficientes". Eurico Brilhante Dias estendeu o ataque ao primeiro-ministro, defendendo que Luís Montenegro devia ter pedido desculpas públicas ao país. Esta linha de ataque acompanhou as declarações do secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, que poucas horas antes tinha acusado o chefe do Governo de uma "insensibilidade atroz" por se remeter ao silêncio e não transmitir conforto aos milhares de jovens afetados.

A polémica arrasta-se desde que foram detetadas anomalias informáticas e de gestão na avaliação de perto de 300 mil provas do 11.º e 12.º anos, obrigando o Ministério da Educação a redesenhar à pressa o calendário de acesso ao ensino superior.

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