Beja, 10 jul 2026 (Lusa) — O Presidente da República, António José Seguro, deu esta sexta-feira as boas-vindas formais aos 64 operacionais que regressaram a solo nacional após uma exigente missão humanitária na Venezuela, na sequência dos fortes terramotos que abalaram o país sul-americano. O chefe de Estado expressou o profundo orgulho e a gratidão da nação pelo desempenho da equipa.
"Dar-vos as boas-vindas no regresso a casa, expressar o nosso orgulho pela missão que desenvolveram e também o nosso agradecimento pela forma como o fizeram", declarou António José Seguro na cerimónia de receção à Força Operacional Conjunta (FOCON), que aterrou na Base Aérea n.º 11, em Beja. O contingente português tinha como objetivo apoiar as complexas manobras de busca e salvamento na região costeira de La Guaira, um dos epicentros da destruição.
No seu discurso, que decorreu sem direito a perguntas por parte dos órgãos de comunicação social, o Presidente destacou que o heroísmo desta força especial serviu de alento tanto para o povo venezuelano como para a vasta comunidade de portugueses e lusodescendentes que ali residem. Como grande marco desta expedição, Seguro recordou o salvamento histórico de Hernán Gil, um cidadão que foi retirado com vida pela equipa lusa depois de passar oito dias soterrado. O sucesso desta operação deveu-se, segundo o governante, à "bravura, coragem e determinação" dos operacionais e ao apoio crucial das equipas cinotécnicas.
O chefe de Estado fez ainda questão de deixar uma mensagem de conforto às famílias dos profissionais envolvidos, que enfrentaram dias de grande ansiedade à espera de notícias, e estendeu um elogio à celeridade demonstrada pelo Executivo português na coordenação do envio de ajuda, um esforço que mereceu o reconhecimento oficial das autoridades de Caracas.
Esta força de elite juntou especialistas da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, do INEM e da GNR, acompanhados por seis cães de resgate. Os abalos sísmicos gémeos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala de Richter, atingiram a Venezuela a 24 de junho e provocaram uma catástrofe humana sem precedentes recentes no país: o balanço oficial provisório aponta para 3.899 vítimas mortais — entre as quais se contabilizam pelo menos 104 portugueses e lusodescendentes — e mais de 16 mil feridos.