Washington, 12 jul 2026 (Lusa) — O exército dos Estados Unidos desmentiu categoricamente o bloqueio do Estreito de Ormuz, garantindo que a navegação naquela que é uma das rotas marítimas mais vitais do mundo continua a fluir sem interrupções. A reação surge poucas horas depois de o regime de Teerão ter anunciado o encerramento unilateral da passagem.
Através da rede social X, o Comando Central norte-americano para o Médio Oriente (Centcom) foi direto: "O Estreito de Ormuz está aberto a todos os navios que desejem transitar legalmente". O comando militar sublinhou ainda que "o Irão não controla o estreito" e que o tráfego internacional mantém a normalidade. Esta leitura foi partilhada por uma estrutura conjunta dos EUA e do Reino Unido, que indicou que o fluxo de cargueiros até aumentou nas últimas horas, embora tenha recomendado vigilância e cautela redobradas às tripulações.
A crise escalou na madrugada deste domingo, quando a Guarda Revolucionária do Irão declarou o fecho da via "até nova ordem". As autoridades iranianas justificaram a medida extrema após terem efetuado disparos de aviso contra um navio que, alegadamente, navegava numa rota proibida. Teerão vinculou o fim do bloqueio à retirada imediata das forças norte-americanas, cuja presença na região classifica como uma "intervenção ilegal".
Como contra-argumento à suposta instabilidade, o Centcom revelou dados operacionais recentes, apontando que as forças aliadas garantiram a passagem segura de mais de 800 navios e 400 milhões de barris de petróleo nos últimos dois meses. Só na última semana, mais de 140 embarcações cruzaram a região.
No plano diplomático, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Omã tentou acalmar as tensões, assegurando que os canais de diálogo técnico e político com o Irão vão continuar ativos. Sendo ambos países ribeirinhos do estreito, Omã quer manter as negociações sobre a gestão do tráfego marítimo, procurando um entendimento de acordo com o direito internacional que evite uma paralisia no comércio global de energia.