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Venezuela/Sismos: Caracas chama representante nos EUA como ministro para o exterior
Em plena catástrofe com mais de 4.500 mortos, presidente interina afasta ala dura do regime para facilitar apoio humanitário e aproximação a Washington.
Por Redação
Publicado em 14/07/2026 06:26
International
@Lusa

Caracas, 14 jul 2026 (Lusa) — A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o diplomata Félix Plasencia como o novo ministro dos Negócios Estrangeiros. A nomeação surge numa altura crítica para o país, que tenta desesperadamente canalizar ajuda humanitária internacional após o duplo sismo devastador que já fez mais de 4.500 vítimas mortais.

Através de uma mensagem na plataforma Telegram, a chefe de Estado interina informou ainda a fusão do ministério das Relações Exteriores com o do Comércio Externo. Félix Plasencia, que até agora liderava a missão diplomática de Caracas em Washington, sucede a Yván Gil, que transita para a pasta da Ciência e Tecnologia. Plasencia, um diplomata de carreira com passagens pelas embaixadas do Reino Unido, Colômbia e China, já tinha desempenhado este cargo governativo entre 2021 e 2022.

A escolha de Plasencia sinaliza uma tentativa de flexibilização diplomática. O seu antecessor, Yván Gil, era visto como um rosto da linha dura do regime de Nicolás Maduro — detido pelos Estados Unidos a 3 de janeiro de 2026 — e acumulou episódios de forte tensão e expulsões de diplomatas estrangeiros ao longo do seu mandato. Sob a liderança interina de Delcy Rodríguez, a Venezuela tenta agora reatar laços e cumprir as exigências de Washington, que desenhou um plano em três fases para a estabilização económica e transição democrática do país.

A mudança de pastas coincide com o anúncio de um pacote financeiro de cerca de 400 milhões de dólares (351 milhões de euros) e o envio de dois navios militares norte-americanos para prestar apoio logístico de emergência às populações afetadas.

O duplo abalo sísmico, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, atingiu violentamente a capital Caracas e a região vizinha de La Guaira a 24 de junho. Enquanto o balanço oficial de mortes foi revisto em alta esta segunda-feira para lá dos 4.500 óbitos, os números relativos aos desaparecidos permanecem incertos, com as estimativas das Nações Unidas a oscilar entre os 10 mil e os 50 mil. Atualmente, milhares de venezuelanos continuam desalojados, sobrevivendo em acampamentos improvisados em praças, estádios e vias públicas.

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