Dubai, Emirados Árabes Unidos, 13 jul 2026 (Lusa) — As forças armadas dos Estados Unidos deram por terminada uma nova e pesada ofensiva militar contra posições no Irão. Washington aproveitou a operação para endurecer a postura diplomática, deixando claro que a República Islâmica "não controla" o Estreito de Ormuz, uma posição que mereceu a contestação imediata de Teerão, que acusa a Casa Branca de destruir o cessar-fogo em vigor.
O Comando Central norte-americano (Centcom) detalhou que a vaga de bombardeamentos destruiu radares, sistemas de defesa aérea, armamento de mísseis, drones e embarcações ligeiras. Pela primeira vez nesta guerra, o Pentágono coordenou um ataque simultâneo recorrendo a caças, navios e veículos não tripulados (aéreos e navais). A resposta iraniana fez-se notar no sudoeste do país, onde um ataque em Mahchahr provocou um morto e quatro feridos, desencadeando uma retaliação imediata de Teerão com mísseis contra bases dos EUA distribuídas pelo Médio Oriente.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano acusou formalmente Washington de ter rasgado "quase todos os termos" do pacto interino assinado em junho, deitando a perder os esforços de paz diplomáticos. O contra-ataque da Guarda Revolucionária estendeu-se a cinco países da região — Bahrein (onde as sirenes da 5.ª Esquadra da Marinha dos EUA ecoaram), Kuwait, Qatar, Jordânia e Omã. A liderança política em Teerão, pela voz do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, avisou que a era dos "acordos unilaterais acabou" e que os EUA estão a pagar o preço por não cumprirem a palavra dada.
O foco da discórdia mantém-se no Estreito de Ormuz, por onde circulava 20% do petróleo e gás mundial antes do início das hostilidades a 28 de fevereiro. O bloqueio decretado pelo Irão tem sido desafiado pelos norte-americanos, que abriram uma rota alternativa a sul, junto à costa de Omã. Esta manobra irritou Teerão, que exige a gestão exclusiva da via e o direito a cobrar taxas de trânsito. A escalada atual surge a meio do prazo de 60 dias estabelecido para desenhar uma paz duradoura, gerando forte apreensão internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já veio a público alertar para o impacto "catastrófico" de um regresso formal à guerra em larga escala.