A Ministra do Ambiente e da Energia apontou diretamente o dedo à Câmara Municipal e aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) como os principais responsáveis pela crise no abastecimento de água que tem afetado a região. Em declarações públicas, a governante sublinhou que o problema atual não se deve exclusivamente à escassez de recursos hídricos, mas sim a uma "gritante falta de planeamento" e à ausência de manutenção preventiva nas redes de distribuição locais.
De acordo com a tutela, o executivo camarário e a respetiva entidade gestora reagiram tarde demais aos alertas de seca e permitiram que as perdas de água na rede — causadas por fugas e obsolescência das tubagens — atingissem níveis insustentáveis.
"A gestão da água é uma competência de proximidade. Tentar justificar as falhas nas torneiras dos cidadãos apenas com as alterações climáticas, quando as infraestruturas locais não recebem investimento há anos, é sacudir a responsabilidade", defendeu a ministra, que exige agora medidas corretivas imediatas.
Por outro lado, a autarquia e a administração dos SMAS já rejeitaram categoricamente as acusações do Governo. Em comunicado, o município classificou as declarações da ministra como uma "manobra de diversão política" para desviar o foco da falta de investimento do Estado Central em grandes infraestruturas hídricas nacionais e em sistemas de transvase.
A administração local garante estar a fazer tudo o que está ao seu alcance para mitigar o impacto junto das populações e apela ao Governo para que liberte verbas de emergência, em vez de "alimentar um jogo de culpas" numa altura em que a prioridade devia ser a cooperação institucional.
Fonte - Lusa