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Diplomacia brasileira rotula Marco Rubio de arrogante em resposta a nova tarifa dos EUA
Chanceler Mauro Vieira afirma que Washington exigia "capitulação" económica do Brasil e ameaça acionar lei de reciprocidade após anúncio de taxa de 25% sobre produtos nacionais.
Por Redação
Publicado em 16/07/2026 22:17
International
@Lusa

Brasília, 16 jul 2026 (Lusa) — O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, subiu hoje o tom contra Washington, classificando as recentes declarações do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como "grosseiras e arrogantes".

A reação do Itamaraty surge após a administração dos EUA ter confirmado a aplicação de uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, com início agendado para o dia 22 de julho. Nas redes sociais, Marco Rubio tinha acusado o Presidente brasileiro, Lula da Silva, de colocar o seu "próprio ego" acima dos interesses e do bem-estar do seu povo, justificando as taxas como uma consequência direta dessa postura.

Mauro Vieira respondeu frontalmente em conferência de imprensa, classificando as palavras de Rubio como ofensivas para o povo e para o Governo do Brasil. Segundo o chefe da diplomacia brasileira, o verdadeiro descontentamento de Washington reside no facto de o Brasil se ter recusado a ceder a exigências desmedidas durante o processo negocial.

O ministro revelou que os emissários norte-americanos não procuravam um acordo assente no equilíbrio, mas sim a "capitulação" do mercado brasileiro. Como exemplo, denunciou que os EUA exigiram a abertura total e exclusiva de setores inteiros da economia brasileira às suas empresas, sem oferecer qualquer tipo de contrapartida para as exportações brasileiras.

Vieira fez questão de detalhar o empenho diplomático de Brasília, que desde março de 2025 realizou dezenas de reuniões bilaterais para tentar encontrar uma saída consensual para o impasse. Rejeitou ainda, por serem "absurdas e sem base na realidade", as justificações técnicas dadas pelos EUA para aplicar as tarifas, que apontavam para uma suposta concorrência desleal promovida pelo sistema de pagamentos digital brasileiro (PIX) e por falhas no combate à desflorestação.

O chanceler brasileiro contextualizou que a pressão comercial da Casa Branca começou em abril de 2025, com taxas de 10%, e escalou politicamente quando o Presidente Donald Trump enviou uma carta a Lula da Silva a ameaçar com tarifas de 50%. De acordo com Mauro Vieira, essa ameaça anterior foi uma tentativa explícita de ingerência política na justiça brasileira, numa altura em que o Supremo Tribunal Federal julgava e condenava o ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento numa tentativa de golpe de Estado.

Em comunicado divulgado na última madrugada, o Palácio do Planalto já tinha classificado a decisão norte-americana como um "marco lastimável" na história diplomática entre os dois países. O Governo brasileiro confirmou que vai acionar a Lei de Reciprocidade para taxar produtos norte-americanos, embora Mauro Vieira tenha abandonado a sala de imprensa sem responder aos jornalistas sobre quando e como essa medida será implementada.

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