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Ventura insta ministro Luís Neves para que saia do Governo “pelo próprio pé”
Na sequência da abertura de um inquérito da PJ a envolver a empresa que fez obras para o governante, o líder do Chega exige que Luís Montenegro assuma a "autoridade política" e afaste o titular da pasta.
Por Redação
Publicado em 17/07/2026 22:23
Nacional
@Lusa

Lisboa, 17 jul 2026 (Lusa) — O líder do Chega, André Ventura, dirigiu hoje um apelo público direto ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, exortando-o a apresentar a sua demissão voluntária face ao adensar das suspeitas que envolvem o seu nome no espaço público.

Em declarações aos jornalistas nos passos perdidos do Parlamento, Ventura defendeu que o governante perdeu a margem de manobra para se manter no cargo. O presidente do Chega pediu ainda uma intervenção firme ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, para que resolva o impasse: "É um apelo ao próprio para que saia pelo seu próprio pé nestas condições (...) e também ao primeiro-ministro para que assuma essa autoridade política neste contexto, que seria a melhor saída para todos e para o país."

A pressão sobre a tutela da Administração Interna disparou após a Polícia Judiciária (PJ) ter confirmado hoje a abertura de um inquérito criminal. Em causa está o reboque de um camião (galera) que havia sido apreendido num grande processo de tráfico de estupefacientes e que foi misteriosamente detetado nas instalações da Construbarcelos — a mesma empresa de construção civil que realizou obras a título particular numa propriedade de Luís Neves.

O caso foi avançado na edição de hoje do semanário Nascer do Sol, levando a Direção Nacional da PJ a emitir um comunicado onde explica que instaurou investigações "para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos."

Para André Ventura, este novo dado torna a continuidade do ministro insustentável. O líder partidário sublinhou que, em nome da "credibilização política", Luís Neves deve afastar-se, deixando uma nota de confiança no sistema democrático para resolver o caso, independentemente do estatuto dos envolvidos: "Por muito poderosos que sejam esses poderes, por muito instalados que estejam (...) nós temos uma democracia e temos de acreditar que a nossa democracia funciona", concluiu.

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