Maputo, 18 jul 2026 (Lusa) — O apoio financeiro direto do Reino Unido a Moçambique vai sofrer um corte drástico nos próximos três anos, caindo dos atuais 58,5 milhões de euros anuais para uns simbólicos 5,8 milhões de euros até 2029.
Esta redução sem precedentes consta no mais recente Relatório e Contas do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico (FCDO). O documento detalha que a verba vai descer progressivamente a partir deste ano: passará para 32,1 milhões de euros no próximo ciclo, encolherá para 18,4 milhões de euros em 2027/28, até atingir o teto mínimo de 5,8 milhões em 2028/29. Moçambique surge, a par do Maláui, como um dos países mais castigados por esta nova política de austeridade no desenvolvimento, que visa baixar a ajuda pública global de Londres para apenas 0,3% do seu Rendimento Nacional Bruto para priorizar os investimentos na Defesa britânica.
Apesar do forte revés financeiro, Londres garante que não vai abandonar os laços diplomáticos com Maputo, mas a cooperação passará a focar-se estritamente em parcerias estratégicas e de menor custo direto. O grande foco será o plano de ação para a energia limpa e resiliência climática, firmado entre as duas nações durante a cimeira COP30, desenhado para atrair investimento privado para o território moçambicano e capacitar técnicos locais na transição energética.
Esta reviravolta surge numa altura em que o histórico de ajuda do Reino Unido a Moçambique demonstrava grande instabilidade, tendo registado uma forte recuperação em 2024 (na ordem dos 54,8 milhões de euros) e um reforço substancial nas verbas de assistência humanitária de emergência. O relatório sublinha ainda que, mesmo fechando a torneira dos fundos de desenvolvimento, o executivo britânico manterá investimentos na sua rede imobiliária diplomática na capital moçambicana.