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Ventura avisa Montenegro que manter Luís Neves significa “cumplicidade política” do Governo
Líder do Chega envia carta ao primeiro-ministro a exigir a demissão do ministro da Administração Interna, equacionando romper os entendimentos parlamentares com o executivo PSD/CDS.
Por Redação
Publicado em 19/07/2026 09:41
Nacional
@Lusa

Lisboa, 19 jul 2026 (Lusa) — O líder do Chega, André Ventura, enviou hoje uma missiva formal ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, advertindo-o de que a continuidade de Luís Neves nas funções de ministro da Administração Interna arrasta o executivo para uma situação de "cumplicidade" e forçará uma revisão profunda no relacionamento político com o Governo de coligação minoritária PSD/CDS-PP.

Na carta dirigida a São Bento, o dirigente da força política mais votada na oposição argumenta que a permanência do governante prejudica de forma severa a credibilidade e a autoridade institucional do executivo, acusando o detentor da pasta da segurança interna de exercer pressão indevida sobre os organismos de investigação criminal. Ventura sublinha que a iniciativa não se move por interesses partidários, invocando o precedente histórico do antigo ministro social-democrata Miguel Macedo, que optou por abandonar o cargo devido a suspeitas judiciais, do qual viria a ser integralmente absolvido, como exemplo de preservação da integridade do Estado.

O líder do Chega recorda os consensos estratégicos alcançados nos últimos meses com a maioria governativa em áreas de grande relevo legislativo, tais como a reforma fiscal do IRC, as medidas do IRS Jovem, as alterações à lei da nacionalidade e de estrangeiros, bem como as novas regras para o regime de heranças. Contudo, defende que o recente fluxo de notícias envolvendo a tutela da Administração Interna quebra a relação de confiança necessária e configura um quadro incompatível com os padrões de governação democrática.

No documento enviado a Luís Montenegro, André Ventura formula uma série de interrogações formais à liderança do executivo sobre a capacidade de um ministro sob suspeita garantir a total isenção das polícias e a coordenação eficaz de dossiês críticos, como o combate aos fogos florestais. O líder partidário alude ainda à sua recente audiência com o Presidente da República, António José Seguro, reforçando o apelo à ação governativa sob pena de o silêncio ser interpretado como uma cedência perante a perda de controlo e transparência nas estruturas fundamentais do Estado.

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