Braga, 19 jul 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP lançou este domingo duras críticas à solidez do Executivo, declarando que o elenco governativo se encontra num estado avançado de decomposição política. Paulo Raimundo aproveitou o momento para deixar em aberto a possibilidade de a bancada comunista avançar com uma moção de censura no Parlamento.
À margem de um encontro com militantes em Braga, o dirigente máximo do PCP apontou o dedo ao acumular de escândalos que envolvem os titulares das pastas da Educação e da Administração Interna, sublinhando que estes casos se somam à contestação já existente na Saúde e nas Infraestruturas. Na ótica do líder comunista, o próprio Primeiro-Ministro demonstra sinais claros de isolamento e desgaste.
"Caos completo" nos exames e ministros na corda bamba
Raimundo classificou a gestão do processo dos exames nacionais como uma verdadeira "trapalhada" e acusou o ministro Fernando Alexandre de manifestar uma postura arrogante perante a comunidade educativa. Para o líder do PCP, Luís Montenegro arriscou demasiado ao blindar politicamente o ministro da Educação.
"O senhor primeiro-ministro já percebeu que quanto mais avança a sua política, mais contestação há. Se põe a cabeça no cepo por ele, sujeita-se às consequências", avisou
O PCP exige ainda luz frontal sobre as suspeitas que recaem sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, relacionadas com o seu anterior cargo na Polícia Judiciária e alegadas ligações a uma empresa de construção visada em investigações.
Ainda que recuse focar-se apenas na exigência de demissões individuais, Paulo Raimundo assegurou que o partido usará todos os mecanismos institucionais para travar a privatização da TAP e os planos para a Segurança Social. O secretário-geral comunista rematou garantindo que a moção de censura é uma ferramenta real sobre a mesa, dependendo apenas do momento político oportuno para ser ativada.