Lisboa, 15 ago 2026 (Lusa) — As vagas de calor intenso e o aumento sustentado das temperaturas médias estão a transformar o calendário tradicional da viticultura em Portugal, forçando produtores de várias regiões a antecipar o arranque das colheitas, em alguns casos para pleno mês de julho.
Segundo dados da ViniPortugal, a tendência de antecipação é transversal mas manifesta-se com intensidades distintas: no Douro as vindimas avançaram entre uma a duas semanas, ao passo que em regiões mais quentes, como o Tejo e o Alentejo, os trabalhos começaram logo nas últimas semanas de julho. Frederico Falcão, presidente da entidade, explica que o cenário exige decisões mais rápidas e uma monitorização rigorosa da vinha, obrigando a alterar técnicas culturais — como proteger os cachos com a folhagem em vez de os expor ao sol — e a ponderar o recurso a castas mais resistentes ao stress hídrico.
Apesar da pressão climática e do impacto na reorganização da mão-de-obra — um desafio agravado pela escassez de trabalhadores em regiões como o Dão ou a Costa Vicentina —, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) assegura que a qualidade do produto final se tem mantido elevada. O avanço tecnológico da vinha ao copo tem permitido contornar os riscos de pragas e doenças, ajustando a produção às novas exigências do mercado por vinhos mais frescos e de menor teor alcoólico.