O ministro da Administração Interna, Luís Neves, utilizou a sessão solene dos 148 anos da Polícia de Segurança Pública (PSP) no Funchal para fazer uma acérrima defesa pessoal e política. O tom assertivo e focado nas controvérsias individuais acabou por ofuscar a efeméride institucional, desencadeando reações duras por parte da autarquia local e da oposição nacional.Na Madeira, a postura do governante não caiu bem. Carlos Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal (do PSD, o mesmo partido que lidera a coligação do Governo Central), criticou publicamente o ministro, afirmando ter sentido "vergonha alheia" e acusando Luís Neves de "total desrespeito pela instituição" da PSP ao centralizar a cerimónia nas suas próprias polémicas.
Durante o discurso, o titular da pasta da Administração Interna manteve a linha defensiva:
Combate às acusações: "Sempre investiguei com provas. Sem prova não há acusação, há difamação", afirmou o ministro.
Rejeição de demissão: "Não me intimidam, nada me vai afastar do que me levou a aceitar este cargo", garantiu.
Controvérsia da viatura apreendida: Assegurou que a utilização de bens do crime serve para defender o Estado, reportando a normas de 2007 e justificando que no seu percurso na PJ reportou "mais de 800 viaturas e outros bens".
Reconhecimento de falhas: "Cometi um ou outro erro que já reconheci com toda a humildade", assumiu.
Ataques diretos a André Ventura: Lamentou ter sido apelidado de "gangster" e disparou: "Assistimos a uma escalada de mentiras (...) só falta dizer que ando a vender droga na rua".
Acusação de populismo: Defendeu que a oposição atua pela "política do medo" e sustentou que "quem vive apenas da espuma do caos ignora a essência da governação".
Reação de André Ventura na CNN Portugal
As declarações de Luís Neves na Madeira intensificaram o clima de rutura. Em entrevista à CNN Portugal, o presidente do Chega considerou a intervenção do governante "inqualificável" e acusou o ministro de adotar um "estilo Al Capone".
Diante do silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro — que na semana anterior tinha reiterado inteira confiança no trabalho do seu ministro —, André Ventura adiantou que o Chega está "mais tendente a avançar" com a apresentação da moção de censura ao Executivo, remetendo a decisão final para as instâncias internas do partido.
Fonte - CNN Portugal