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Luís Neves transforma cerimónia da PSP em palco de contra-ataque político e incendeia crise com o Chega
Discurso na Madeira gera fortes críticas locais pela apropriação do evento policial, enquanto André Ventura reforça intenção de avançar com moção de censura ao Governo.
Por Redação
Publicado em 02/09/2026 12:20
Nacional
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O ministro da Administração Interna, Luís Neves, utilizou a sessão solene dos 148 anos da Polícia de Segurança Pública (PSP) no Funchal para fazer uma acérrima defesa pessoal e política. O tom assertivo e focado nas controvérsias individuais acabou por ofuscar a efeméride institucional, desencadeando reações duras por parte da autarquia local e da oposição nacional.Na Madeira, a postura do governante não caiu bem. Carlos Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal (do PSD, o mesmo partido que lidera a coligação do Governo Central), criticou publicamente o ministro, afirmando ter sentido "vergonha alheia" e acusando Luís Neves de "total desrespeito pela instituição" da PSP ao centralizar a cerimónia nas suas próprias polémicas.  

Durante o discurso, o titular da pasta da Administração Interna manteve a linha defensiva:

Combate às acusações: "Sempre investiguei com provas. Sem prova não há acusação, há difamação", afirmou o ministro.  

Rejeição de demissão: "Não me intimidam, nada me vai afastar do que me levou a aceitar este cargo", garantiu.  

Controvérsia da viatura apreendida: Assegurou que a utilização de bens do crime serve para defender o Estado, reportando a normas de 2007 e justificando que no seu percurso na PJ reportou "mais de 800 viaturas e outros bens".

Reconhecimento de falhas: "Cometi um ou outro erro que já reconheci com toda a humildade", assumiu.  

Ataques diretos a André Ventura: Lamentou ter sido apelidado de "gangster" e disparou: "Assistimos a uma escalada de mentiras (...) só falta dizer que ando a vender droga na rua".  

Acusação de populismo: Defendeu que a oposição atua pela "política do medo" e sustentou que "quem vive apenas da espuma do caos ignora a essência da governação".

Reação de André Ventura na CNN Portugal

As declarações de Luís Neves na Madeira intensificaram o clima de rutura. Em entrevista à CNN Portugal, o presidente do Chega considerou a intervenção do governante "inqualificável" e acusou o ministro de adotar um "estilo Al Capone".

Diante do silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro — que na semana anterior tinha reiterado inteira confiança no trabalho do seu ministro —, André Ventura adiantou que o Chega está "mais tendente a avançar" com a apresentação da moção de censura ao Executivo, remetendo a decisão final para as instâncias internas do partido.  

Fonte - CNN Portugal 

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