Vila do Conde, Porto, 04 set 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou hoje o Governo liderado por Luís Montenegro de estar a lucrar diretamente com a escalada dos preços dos combustíveis à custa do sacrifício e do esforço financeiro das famílias e das empresas portuguesas.
O líder socialista, que falava no início de uma visita à AgroSemana, em Vila do Conde, centrou a sua mensagem política na pressão fiscal, alertando para o impacto iminente do maior aumento de sempre nos preços à bomba programado para a próxima semana. Com base nas estimativas do Automóvel Club de Portugal, que apontam para um encarecimento de 15 cêntimos por litro no gasóleo e de 12 cêntimos na gasolina, Carneiro denunciou que o Estado está a encaixar uma margem adicional de nove cêntimos por litro de gasóleo e seis cêntimos no de gasolina.
Para sustentar as acusações de encaixe fiscal extraordinário, o dirigente revelou que os impostos sobre os combustíveis renderam aos cofres públicos 1.048 milhões de euros entre 2024 e 2025. Acrescentou ainda que, só entre janeiro e julho, a inflação gerou um acréscimo de receita de IVA superior a mil milhões de euros, o que demonstra, na sua perspetiva, a insensibilidade e incompetência do primeiro-ministro em dar resposta ao aumento do custo de vida.
Face a este cenário de asfixia financeira, o PS entregou no Parlamento uma proposta para a redução do IVA aplicado aos combustíveis e aos bens alimentares essenciais. Trata-se da terceira tentativa dos socialistas para aprovar esta iniciativa no hemiciclo, após chumbos anteriores da AD, da Iniciativa Liberal e do Chega, tendo Carneiro feito questão de apontar a contradição da bancada do Chega por ter chumbado as propostas do PS com este propósito.
O líder do PS concluiu frisando que esta descida dos impostos é fundamental não apenas para as famílias, mas também para aliviar a pressão sobre setores estratégicos fortemente afetados pelos custos operacionais, como a agricultura, as pescas, os transportes e a distribuição.