Castro Verde, Beja, 04 set 2026 (Lusa) — A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, garantiu hoje que o Governo não vai autorizar a construção de novos aterros sanitários no país, apontando em vez disso para uma redução drástica do lixo depositado e para soluções de reciclagem, produção de biometano e valorização energética.
À margem da abertura do festival Castro Mineiro, em Castro Verde, a governante explicou os eixos centrais da estratégia "Terra +", aprovada este mesmo dia em Conselho de Ministros. O plano nacional prevê um investimento total de 2,3 mil milhões de euros até 2030 — sendo 1,6 mil milhões de capitais públicos — para cumprir a meta europeia de reduzir para apenas 10% a quota de resíduos enviados para aterro até 2035.
Para dar resposta a cenários críticos, a ministra admitiu que o executivo está a avaliar a instalação de uma central de valorização energética no Algarve, região cujos dois aterros se encontram quase no limite da capacidade e onde a produção de lixo duplica a média nacional.
Maria da Graça Carvalho desmistificou a opção da incineração moderna, sublinhando que as tecnologias atuais são limpas e seguras, dando como exemplo instalações integradas em centros urbanos como Copenhaga. Um estudo encarregado à Agência Portuguesa do Ambiente, com início marcado para 15 de outubro, irá determinar a viabilidade tecnológica e a localização ideal para a infraestrutura algarvia, que a governante ressalvou ser uma solução de último recurso.