Lisboa, 08 set 2026 (Lusa) — O ministro da Administração Interna, Luís Neves, é ouvido esta terça-feira no parlamento em audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, numa sessão que se prevê fortemente marcada pelas polémicas recentes em torno do seu passado enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
A audição arranca às 10:00 e antecede por poucas horas o debate da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega — cujo chumbo está assegurado. Apesar de o objetivo regimental ser o balanço da ação governativa na área da Administração Interna, o governante deverá ser confrontado pela oposição sobre os vários processos sob averiguação judicial que o visam diretamente.
Em causa estão suspeitas de alegadas irregularidades na realização de obras privadas numa propriedade de Luís Neves em Odemira, efetuadas por um empreiteiro que obteve cerca de 17 contratos públicos de empreitadas com a PJ. O mesmo empresário terá ficado com a custódia de um atrelado apreendido numa operação de combate ao tráfico de droga que continha bidões com produtos químicos, situação que o atual ministro justificou à data com a falta de verbas da PJ para suportar os custos da sua destruição.
A contestação política adensou-se com notícias sobre o atraso na entrega das suas declarações de património à Entidade para a Transparência e ao Tribunal Constitucional durante o mandato na PJ. Mais recentemente, foi pública a utilização por parte do governante de uma viatura apreendida no âmbito do processo 'Xuxas' — procedimento que Luís Neves assegura ter total enquadramento legal.
Atualmente, os episódios do carro, do atrelado e da propriedade de Odemira integram inquéritos em curso no Ministério Público, estando os dois primeiros classificados com caráter de urgência. A este quadro somam-se uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja e um processo de contraordenação no Tribunal de Contas resultante de uma auditoria de 2023.