Lisboa, 10 set 2026 (Lusa) — O ex-primeiro-ministro José Sócrates regressou esta quinta-feira às instalações do Tribunal Central Criminal, no Campus da Justiça, em Lisboa, sem representação jurídica constituída. À entrada para mais uma sessão do julgamento no âmbito do processo 'Operação Marquês', o antigo governante teceu fortes críticas à atuação do tribunal, acusando a juíza do processo de proibir tempo de preparação para a sua defesa.
Em declarações aos jornalistas, o antigo chefe do executivo explicou que se encontra sem representante legal desde novembro de 2025, na sequência da renúncia do seu anterior mandateiro por decisão própria e sem a sua consulta. Sócrates adiantou ter passado procuração ao advogado Filipe Batista, mas lamentou que a magistrada tenha indeferido o pedido formulado pelo causídico para dispor de dez dias de margem para analisar o processo antes de assumir formalmente a incumbência.
"A senhora juíza não quer dar tempo nenhum a ninguém", protestou o arguido, sustentando que não pode ser responsabilizado pela vacatura na sua representação jurídica. José Sócrates aproveitou ainda o momento para voltar a classificar a acusação de corrupção como "falsa", criticando o facto de o foco do processo ter mudado ao longo dos 12 anos em que enfrenta as investigações da Justiça.
O julgamento da Operação Marquês, que envolve 21 arguidos por crimes económicos e financeiros, teve início a 3 de julho de 2025, decorridos mais de dois anos sobre a fase de instrução. O processo conta ainda com dezenas de testemunhas por ouvir na calha do Tribunal Central Criminal de Lisboa.