Esposende recebe este sábado, 19 de setembro, a primeira edição do “Traj’a Norte – Desfile da Indumentária do Povo do Douro ao Minho”, uma iniciativa que vai reunir mais de 600 participantes no Largo Rodrigues Sampaio, a partir das 21h30.
O evento pretende valorizar e divulgar o património etnográfico do território entre o Douro e o Minho, através de uma viagem pelas formas de vestir, trabalhar, celebrar e viver das comunidades rurais entre o final do século XIX e o início do século XX.
A iniciativa, apresentada esta segunda-feira na Câmara Municipal de Esposende, conta com a participação de mais de 60 grupos folclóricos e colecionadores. O objetivo passa por transformar o concelho num ponto de encontro para a preservação e divulgação das tradições populares do Norte.
O grande desfile será dividido em seis momentos: “O Mar”, “O Trabalho”, “A Feira”, “O Casamento”, “Trajes de Festa e Domingueiros” e “A Romaria”. Cada quadro permitirá mostrar diferentes tipos de indumentária e explicar a relação entre os trajes e os contextos sociais, económicos, culturais e religiosos da época.
Saias, coletes, lenços, adornos e peças de ouro vão ganhar protagonismo numa iniciativa que pretende mostrar que o traje tradicional representa muito mais do que vestuário. As peças ajudam a contar histórias ligadas ao trabalho, à fé, às celebrações, à condição social e à identidade das comunidades do território entre o Douro e o Minho, com ligações culturais à Galiza.
A componente musical também terá um papel de destaque. O desfile contará com a participação do Coro de Pequenos Cantores de Esposende, tocadores de grupos folclóricos locais, bombos, Zés P’reiras, Cantadeiras do Vale do Neiva e momentos de canto a cappella, entre outras formações.
Integrado nas Jornadas Europeias do Património 2026, sob o tema “Reviver, resistir, reinventar”, o “Traj’a Norte” procura aproximar o património cultural imaterial da comunidade e das novas gerações.
A organização recorre também ao trabalho de recolha realizado pelo etnomusicólogo Michel Giacometti como uma das referências para a contextualização histórica e etnográfica dos trajes e manifestações apresentadas.
Durante a apresentação, a vereadora da Cultura, Paula Cepa, destacou a importância de encarar o património imaterial como uma realidade viva, que deve ser estudada, preservada e partilhada, em vez de permanecer apenas em museus e arquivos.
O envolvimento da comunidade estende-se ainda ao comércio local. Cerca de 70 estabelecimentos comerciais aderiram ao concurso de montras associado ao evento, exibindo trajes tradicionais, peças antigas, fotografias e outros elementos relacionados com a cultura popular.
Os grupos folclóricos do concelho assumem igualmente um papel central na iniciativa, dando continuidade ao trabalho desenvolvido na preservação e transmissão das tradições locais.
O “Traj’a Norte” surge na sequência de outras iniciativas promovidas pelo Município de Esposende na área do folclore e da cultura tradicional, como o “Folclore na Praça”, o “Festival Internacional de Folclore de Esposende”, a “Desfolhada à Moda Antiga” e o “Magusto-Convívio”.
Com entrada de mais de 600 participantes e dezenas de grupos e colecionadores, o primeiro “Traj’a Norte” promete levar ao centro de Esposende uma grande celebração da memória, da identidade e das tradições populares do território entre o Douro e o Minho.