O antigo secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI), Ricardo Carrilho, lançou duras denúncias contra o ministro Luís Neves, acusando-o de exercer pressão no sentido de evitar concursos públicos e acelerar empreitadas em edifícios da PSP e da GNR.
Em declarações prestadas à SIC, o ex-responsável revelou que o governante defendeu reiteradamente o recurso a ajustes diretos para obras nas forças de segurança, afastando-as da concorrência de mercado. Segundo o ex-dirigente, Luís Neves invocava a sua experiência anterior ao comando da Polícia Judiciária (PJ) para argumentar que aquele tipo de infraestruturas podia beneficiar das exceções previstas no Código dos Contratos Públicos.
Ricardo Carrilho rejeita, contudo, a validade desse argumento. O antigo dirigente sustenta que a larga maioria das esquadras e postos policiais não justifica regimes excecionais de contratação, uma vez que apenas as celas exigem normas específicas de segurança — diretrizes que, sublinha, são públicas e fixadas pelo Conselho da Europa.O ex-secretário-geral, que garante ter sido apanhado de surpresa pela exoneração, considerou a decisão do ministro um "saneamento político" resultante do clima de tensão que se acumulou ao longo dos últimos meses. Carrilho reiterou ainda a convicção de que o processo da sua demissão foi ilegal, declarando-se totalmente disponível para prestar esclarecimentos e prestar contas sobre a sua gestão.
Até ao momento, o Ministério da Administração Interna não emitiu qualquer reação às acusações efetuadas pelo ex-dirigente.
Fonte - Sic Notícias