Lagos, 20 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, pressionou esta terça-feira o primeiro-ministro a recuar na nova lei das rendas, apelando a Luís Montenegro para que deixe cair um diploma que considera «desumano e injusto».
À margem de uma visita a empreendimentos habitacionais em Lagos, no distrito de Faro, o líder socialista acusou o Governo de agravar a crise na habitação ao aprovar uma legislação — com o apoio do Chega e da IL — que «facilita os despejos e dificulta o acesso ao mercado». Carneiro criticou duramente a fasquia da renda moderada fixada em 2.300 euros, considerando-a demonstrativa de um «afastamento da realidade económica» das famílias portuguesas, cujo rendimento mediano não comporta taxas de esforço superiores a 35%.
Como alternativa às políticas do executivo, o dirigente do PS defendeu a criação de uma garantia pública que salvaguarde jovens e agregados de classe média em momentos de quebra de rendimento, além de proteger os idosos contra aumentos especulativos. O líder da oposição reiterou ainda a necessidade de reforçar o investimento público no setor e criar um Serviço Nacional de Habitação que articule o Estado, autarquias, cooperativas e privados.