O Presidente da República, António José Seguro, quebrou este domingo o silêncio sobre as controversas ações da Polícia de Segurança Pública (PSP) durante as manifestações e acampamentos pelo direito à habitação. Ppressionado pela oposição e pela opinião pública para assumir uma posição, o Chefe de Estado condenou abertamente o clima de violência e a forma como as autoridades atuaram no terreno.
"Não gostei do que vi, não são imagens normais para uma democracia consolidada", afirmou perante os jornalistas, sublinhando que tem acompanhado a situação com extrema preocupação e em permanente contacto com as entidades responsáveis desde o início dos incidentes.
Na sua intervenção, o Presidente procurou vincar que a preservação da ordem pública não pode colidir com as garantias democráticas dos cidadãos. "Lei e liberdade não são incompatíveis", rematou, acrescentando que o cumprimento das regras aplica-se tanto à população como às próprias forças de segurança.
Ao apelar à pacificação, Seguro frisou ainda que a identidade e a cultura portuguesas se fundam no diálogo e na negociação, e nunca na confrontação. Com estas declarações, o Palácio de Belém tenta demarcar-se dos episódios de tensão e restabelecer o foco no respeito pelas instituições e pelo Estado de Direito.