MENU
Saída de anestesiologistas no IPO do Porto gera alarme sobre a segurança dos pacientes
Sindicato alerta para a sobrecarga da equipa e a redução no tempo das consultas pré-operatórias; administração hospitalar garante que não há cirurgias sem avaliação.
Por Redação
Publicado em 27/10/2026 13:46
Local
IPO

O serviço de anestesiologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto está a enfrentar uma redução de pessoal significativo, após a perda de seis médicos especialistas nos últimos meses. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), que avisa que a escassez de profissionais está a colocar sob forte pressão a equipa restante — atualmente composta por 27 especialistas — e pode comprometer a segurança dos doentes oncológicos.

Segundo a estrutura sindical, afeta à Federação Nacional dos Médicos (Fnam), a diminuição de pessoal decorre de aposentações e da saída de três médicos experientes e de três recém-especialistas que optaram por não permanecer na instituição após concluírem a formação.

Para compensar o défice de profissionais e manter os fluxos de trabalho, a direção do hospital ajustou a agenda, passando a agendar as consultas de anestesiologia com um intervalo de 20 minutos desde meados de setembro. O sindicato revela que a grande maioria dos anestesiologistas da casa (23 médicos) enviou um documento de protesto à administração a contestar esta redução de tempo, alertando para a fragilidade e complexidade dos doentes com cancro.

Administração assegura segurança e aponta novo modelo

Em resposta, o conselho de administração do IPO do Porto admitiu que a escassez de anestesiologistas é uma realidade que afeta a instituição, à semelhança do que acontece em vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). No entanto, assegurou que nenhum utente é submetido a cirurgia sem a devida avaliação anestésica prévia.

O hospital explicou que o novo intervalo de 20 minutos segue diretrizes da Sociedade Europeia de Anestesiologia e Cuidados Intensivos (ESAIC). A instituição detalhou que os doentes passam primeiro por uma consulta de medicina pré-operatória, conduzida por internistas para estabilizar outras patologias, permitindo que a consulta de anestesiologia se foque estritamente na avaliação e revisão final antes da intervenção.

A administração acrescentou ainda que a reorganização do bloco operatório permitiu um aumento de 2,2% no número de cirurgias realizadas até setembro, totalizando quase 9.600 intervenções, e confirmou ter solicitado o preenchimento de três novas vagas no concurso para recém-especialistas em curso.

Fonte - SIC Notícias 

Comentários

Mais notícias