Uma vaga inédita de ciberataques atingiu sistemas de refrigeração industrial em supermercados de pelo menos oito países europeus — incluindo Portugal, Bélgica, Suécia e Irlanda. Os invasores conseguiram manipular remotamente os termóstatos de arrefecimento, forçando temperaturas a subir até aos 50 ºC ou ativando ciclos contínuos de descongelação. O incidente provocou o encerramento de secções inteiras, a remoção às pressas de alimentos estragados e perdas financeiras milionárias.
O alerta disparou após episódios idênticos registados em França, onde centenas de lojas foram afetadas no mês passado. Entre as cadeias visadas nesta nova vaga estão gigantes como Carrefour, Delhaize, Spar, Intermarché, Coop e Ikea. A União Europeia já reagiu publicamente, classificando as investidas como uma tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar e destabilizar a confiança dos consumidores.
Apesar da dimensão da operação, nenhum grupo assumiu a autoria dos ataques nem foram apresentados pedidos de resgate (ransomware). Analistas de cibersegurança apontam para duas cenários principais: uma ação de sabotagem ou demonstração de força patrocinada por um Estado estrangeiro, ou a iniciativa isolada de cibersegurança com o intuito de expor falhas graves nos equipamentos.
A facilidade com que as redes foram comprometidas surpreendeu os peritos. A invasão não exigiu a instalação de qualquer malware complexo; bastou explorar as brechas nos softwares de gestão remota — muitos dos quais operavam sem atualizações de segurança há longos períodos ou comunicavam através de redes móveis expostas. O caso acendeu o sinal de alarme para a urgência de proteger não só servidores e computadores, mas também todo o ecossistema de dispositivos ligados à Internet (IoT), desde equipamento industrial a eletrodomésticos domésticos.
Fonte - CNN Portugal