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Maioria dos portugueses defende intervenção de Marcelo após polémica das escutas a António Costa
Publicado em 01/01/2026 15:08
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A divulgação recente de escutas envolvendo António Costa, gravadas quando ainda exercia funções como primeiro-ministro, gerou forte polémica e reacendeu o debate sobre a atuação do Ministério Público. De acordo com uma sondagem, uma larga maioria dos portugueses considera que o Presidente da República deve intervir e pedir explicações formais ao Procurador-Geral da República (PGR).

Segundo os dados recolhidos, 73% dos inquiridos defendem que Marcelo Rebelo de Sousa deve solicitar esclarecimentos diretos ao atual PGR, Amadeu Guerra, numa posição transversal a género, idade, região, classe social e orientação partidária. Apenas 11% discordam dessa iniciativa.

A polémica remonta à Operação Influencer, um dos momentos de maior instabilidade política dos dois mandatos de Marcelo. Na altura, um comunicado da Procuradoria-Geral da República envolveu o então primeiro-ministro numa investigação, levando António Costa a demitir-se. A queda de um Governo de maioria absoluta culminou na dissolução do Parlamento e na convocação de eleições antecipadas, vencidas por Luís Montenegro.

Dois anos depois, e já com António Costa a desempenhar funções como presidente do Conselho Europeu, tornaram-se públicas várias escutas telefónicas que muitos consideram ilegais, não só pela forma como foram obtidas, mas também pelo seu conteúdo, frequentemente de natureza pessoal e sem relevância para a investigação. Perante o caso, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que a justiça tinha de “aprender a lição” e que os portugueses mereciam saber o que aconteceu.

A sondagem revela, contudo, que a opinião pública vai mais longe. Para 49% dos inquiridos, se existirem “suspeitas graves” de ilegalidade, o Presidente da República tem legitimidade para exercer pressão pública sobre o Ministério Público. Esta posição é mais expressiva entre os residentes da Região Centro, pessoas entre os 45 e os 54 anos, jovens dos 18 aos 24 anos e eleitores do Chega. Outros 11% defendem que essa pressão deve ser feita de forma reservada, através de contactos institucionais, o que eleva para 60% os que defendem algum tipo de intervenção presidencial. Apenas 22% rejeitam qualquer pressão sobre os procuradores.

 

A sondagem foi realizada pela Pitagórica para a TVI e a CNN Portugal, entre 11 e 19 de dezembro de 2025, junto de mil eleitores recenseados em Portugal, tendo como objetivo avaliar a opinião dos portugueses sobre temas da atualidade e as eleições presidenciais de 2026.

FonteJNimagemgettyimages

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