José Luís Carneiro subiu o tom contra o primeiro-ministro e exigiu esclarecimentos urgentes sobre o processo de compra de novas ambulâncias para o INEM. O secretário-geral do PS quer saber se o chefe do Governo foi enganado pelos serviços ou se, pelo contrário, omitiu deliberadamente informação ao Parlamento.
Segundo Carneiro, o concurso para as 275 novas viaturas anunciado esta semana já tinha sido decidido por um Governo socialista, em novembro de 2023, através de uma resolução do Conselho de Ministros. Ainda assim, o anúncio foi apresentado como uma iniciativa do atual Executivo.
“O primeiro-ministro deve uma resposta ao país: foi enganado pelos serviços e vai assumir responsabilidades, ou tinha conhecimento e decidiu omitir? Se o fez, faltou à verdade ao Parlamento, e isso é muito grave”, afirmou o líder socialista na Assembleia da República.
Carneiro foi mais longe, sublinhando que mentir ao Parlamento, noutros países, teria consequências máximas. “Nos Estados Unidos da América, isto dava ‘impeachment’ do Presidente. É inaceitável numa democracia qualificada”, disparou.
O socialista questiona também porque motivo o processo só avançou agora, depois de ter sido revisto em agosto de 2024, quando o país enfrenta sérias falhas na resposta de emergência. Só esta semana, pelo menos três pessoas morreram após pedidos de socorro em que os meios não chegaram a tempo.
O líder do PS diz ter recebido ainda informação de que técnicos foram retirados das ambulâncias para reforçar o CODU, reduzindo a capacidade operacional. Na Área Metropolitana de Lisboa, afirma, existirão 16 ambulâncias, mas apenas cinco estarão efetivamente em funcionamento.
Para Carneiro, o tema “toca a dignidade e a vida das pessoas” e exige clareza total. Se o primeiro-ministro sabia que o concurso tinha origem no anterior Governo e não o assumiu, “deve apresentar um pedido de desculpas claro aos portugueses”.
O confronto político surge no seguimento do debate quinzenal, onde José Luís Carneiro já tinha acusado o Executivo de “insensibilidade, incapacidade e incompetência” e classificado o INEM como uma “lotaria que joga com a saúde das pessoas”.
Fontecnnportugalfotopartidosocialista