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Europa em choque: ameaça de anexação da Gronelândia por Trump abala a NATO e abre guerra entre aliados
A possibilidade de os EUA atacarem território dinamarquês coloca em causa a segurança europeia, silencia líderes e expõe a dependência militar da Europa em relação a Washington
Publicado em 09/01/2026 12:03 • Atualizado 09/01/2026 12:07
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O regresso de Donald Trump à Casa Branca virou do avesso as certezas europeias. A intenção declarada da sua administração de adquirir ou anexar a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, criou uma situação inédita na NATO: a possibilidade de um membro atacar outro membro de uma aliança fundada precisamente na defesa coletiva.

A Casa Branca confirmou que o presidente está a avaliar “várias opções” para obter a Gronelândia, não excluindo o uso de força militar. Stephen Miller, um dos rostos fortes da administração, resumiu a postura norte-americana: “Somos uma superpotência e vamos comportar-nos como tal”.

Embora o secretário de Estado Marco Rubio tenha tentado baixar a tensão, falando apenas numa possível compra da Gronelândia, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, deixou um alerta sem rodeios: se os EUA atacarem militarmente um país da NATO, a própria aliança deixa de fazer sentido.

Apesar da gravidade do cenário, a maioria dos líderes europeus tem evitado críticas públicas a Washington. A razão é simples e desconfortável: os EUA já não são um aliado confiável, mas continuam indispensáveis, sobretudo no dossiê da Ucrânia. A Europa precisa da máquina militar norte-americana, ao mesmo tempo que tenta travar a cobiça dos EUA pela Gronelândia — uma verdadeira encruzilhada estratégica.

Durante uma reunião em Paris, onde 35 países discutiram garantias de segurança para a Ucrânia no pós-guerra, pairou uma pergunta inevitável: como confiar nos compromissos de segurança de um país que admite tomar território de outro membro da NATO? Nem Keir Starmer, nem Emmanuel Macron arriscaram confronto direto com Washington.

A Europa já fez concessões pesadas para manter os EUA do seu lado: aceitou tarifas comerciais, engoliu críticas públicas e suportou acusações de Washington. Ainda assim, muitos analistas avisam que os europeus têm menos margem de manobra do que gostariam, depois de terem delegado a sua segurança nos EUA durante décadas.

Mesmo assim, há quem defenda respostas duras. Alguns políticos pedem uma base militar europeia permanente na Gronelândia. Outros propõem aumentar os custos políticos e económicos de qualquer ação unilateral americana, evitando um confronto direto, mas deixando claro que Trump não poderá agir sem enfrentar um preço elevado.

Nos EUA, a própria opinião pública mostra-se amplamente contra a ideia de anexação pela força. Mas na Europa cresce o receio de que, desta vez, o projeto seja sério. Como resumiu um responsável britânico: “as pessoas acordaram — isto não é um capricho, ele leva isto a sério.”

Para já, a estratégia europeia resume-se a ganhar tempo. Até conseguir rearmar-se e garantir a sua própria defesa, a Europa sente-se obrigada a conviver com uma administração americana que fala e age em lógica de poder bruto — e que olha para os aliados mais fracos como alvos fáceis.

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