A enfermeira diretora da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra apresentou a demissão, denunciando uma situação de rutura profunda na gestão do hospital e a ausência de apoio por parte do Ministério da Saúde. Luísa Ximenes afirmou esta sexta-feira que, sem respaldo da tutela ao Conselho de Administração, se torna “impossível gerir o que quer que seja”.
Em declarações à SIC Notícias, a responsável foi contundente nas críticas, recordando que já tinha apontado falhas aos anteriores conselhos de administração, nomeadamente a sua incapacidade para exercer funções de forma eficaz. No entanto, sublinhou que a sua decisão surge sobretudo após a experiência direta de uma “ausência total de apoio” por parte da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Luísa Ximenes revelou ter ficado “estupefacta” com as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que defendeu que os problemas na Saúde não se resolvem com demissões, ao mesmo tempo que apoiou a continuidade da ministra. Para a enfermeira diretora, existe uma clara contradição entre o discurso político e a realidade vivida no hospital.
A demissionária destacou ainda a instabilidade na liderança da instituição, referindo que o Hospital Amadora-Sintra foi sujeito a duas administrações distintas e prepara-se agora para uma terceira. “Resolve-se com demissões ou não se resolve com demissões?”, questionou, lembrando que este já é o segundo Conselho de Administração a ser afastado.
A responsável formalizou a sua saída do cargo na quinta-feira, alegando que não estavam reunidas as condições mínimas para continuar a exercer funções, num contexto que considera de desorganização, falta de orientação e fragilidade na governação do Serviço Nacional de Saúde.
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