Maioria dos Estados-membros validou o tratado comercial com o bloco sul-americano. França e Irlanda votaram contra, invocando a defesa do setor agrícola.Numa decisão que marca um ponto de viragem nas relações comerciais transatlânticas, os embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia deram hoje o aval decisivo para a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. A aprovação surge após anos de negociações e intensos debates, garantindo a Bruxelas o mandato necessário para formalizar a parceria com o gigante bloco económico da América do Sul.
Um Bloco Dividido
Apesar do desfecho favorável à Comissão Europeia, a votação expôs fraturas profundas no seio da União. A França e a Irlanda lideraram a frente do "não", expressando sérias reservas quanto à competitividade desleal que o pacto poderá impor aos produtores europeus.
Para o Eliseu, o acordo é visto como obsoleto. O presidente Emmanuel Macron, sob forte pressão dos protestos agrícolas que têm paralisado várias capitais europeias, reiterou que o texto atual assenta em "fundamentos antigos" e não responde aos desafios ambientais e económicos do presente.
O Triunfo do Setor Empresarial
Por outro lado, o setor industrial e os grandes grupos exportadores europeus celebram a medida como uma oportunidade histórica de expansão de mercado. O acordo prevê a redução de barreiras alfandegárias e a facilitação de trocas comerciais entre as duas regiões, o que poderá impulsionar o PIB comunitário.
Com esta aprovação, a União Europeia avança para a fase final de implementação, tentando equilibrar o entusiasmo comercial com as exigências de proteção interna que continuam a alimentar manifestações de agricultores por todo o continente.