Um estudo global divulgado no relatório Global Mind Health 2025 revela que, em Portugal, a saúde mental dos jovens adultos é significativamente pior do que a dos portugueses com mais de 55 anos — mesmo num país onde os laços familiares são considerados fortes e tipicamente benéficos para o bem-estar.
O relatório da organização Sapien Labs, que analisou respostas de quase um milhão de pessoas em 84 países, mostra que os jovens portugueses, entre os 18 e os 34 anos, enfrentam desafios mentais clinicamente mais significativos quando comparados com as gerações acima dos 55 anos.
Apesar de estarem entre os que menos consomem alimentos ultraprocessados — um dos fatores apontados como prejudicial à saúde mental em outras populações — os jovens em Portugal ainda registam níveis mais baixos de bem-estar psicológico do que os mais velhos.
Curiosamente, Portugal apresenta uma taxa elevada de jovens com laços familiares fortes, o que normalmente está associado a menores sintomas depressivos. Ainda assim, esta vantagem não impede uma diferença negativa quando comparada com faixas etárias mais avançadas.
Especialistas apontam também para fatores como o uso precoce de smartphones entre a chamada geração Z — que começou a utilizar estes dispositivos entre os 12 e os 13 anos — como um elemento que pode estar relacionado com um maior risco de problemas psicológicos no futuro.
O estudo sublinha que estas tendências observadas em Portugal refletem um padrão global mais amplo, no qual os jovens enfrentam uma pressão psicológica crescente, apesar de laços comunitários e familiares que, teoricamente, deveriam ser protetores.
Se achar necessário apoio ou tiver questões sobre saúde mental, existem serviços e linhas de apoio disponíveis em Portugal, como o SNS 24 (808 24 24 24) ou o SOS Voz Amiga (800 209 899 / 213 544 545).
Fonte e Foto:Lusa