A gigante tecnológica abandonou o sistema que permitia a menores de idade desligarem a supervisão parental sem autorização. A partir de agora, o Family Link só "solta a mão" dos adolescentes com um código de aprovação dos tutores.O dia em que um adolescente completava 13 anos e, com um simples clique num e-mail, removia os pais da sua vida digital, chegou ao fim. Numa mudança estratégica anunciada esta quarta-feira, a Google reforçou as regras do seu sistema de controlo parental, exigindo agora o consentimento explícito dos pais para que qualquer conta supervisionada passe a ser autónoma.
Até aqui, a legislação portuguesa (e de vários países europeus) fixava nos 13 anos a idade mínima para a gestão individual de dados. Contudo, a Google ia mais longe: ao atingir essa idade, o sistema incentivava proativamente o jovem a assumir o controlo total, bloqueando o acesso dos pais a relatórios de localização, tempo de ecrã e filtros de conteúdo, muitas vezes sem qualquer aviso prévio ou diálogo familiar.
Segurança sobre a Autonomia
A nova diretiva inverte o ónus da prova. Se um jovem de 13 anos (ou mais) desejar desativar as restrições do Family Link, o sistema enviará um pedido de autorização ao dispositivo do administrador da família. Sem o "Sim" digital do pai ou da mãe, as ferramentas de proteção — como a aprovação de downloads na Play Store e os limites de horário noturno — permanecem ativas.
Segundo os responsáveis pela segurança da plataforma, esta medida visa evitar que jovens vulneráveis fiquem expostos a conteúdos inapropriados ou a riscos de cibersegurança apenas porque atingiram uma baliza etária legal, sem terem maturidade digital para o efeito.
O Impacto na Gestão Familiar
Esta atualização responde a anos de críticas de associações de proteção de menores e psicólogos, que argumentavam que a política anterior da Google promovia o conflito e a falta de transparência. Com a nova regra, a "independência" passa a ser um processo negociado.
A medida já começou a ser implementada de forma global e abrange todos os serviços do ecossistema Google, incluindo o YouTube e as novas funcionalidades de Inteligência Artificial, onde o controlo parental será ainda mais rigoroso.
Fonte - LusainvestNews