Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul oficializaram neste sábado, em Assunção, Paraguai, a assinatura de um acordo que cria a maior zona de livre-comércio do mundo, reunindo quase 20% do PIB global e 720 milhões de pessoas.
A cerimónia contou com a presença de líderes europeus e latino-americanos, incluindo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, assim como os chefes de Estado de Argentina, Uruguai, Bolívia e Panamá. O Brasil esteve ausente, com Lula da Silva a não marcar presença.
Segundo Ursula von der Leyen, o acordo representa uma escolha pelo comércio justo e pela parceria de longo prazo, eliminando progressivamente tarifas sobre a maioria das exportações da UE e do Mercosul ao longo da próxima década. Para Portugal, o governo destaca oportunidades para setores como vinho, azeite e queijo, com o potencial de reduzir o défice comercial em 500 milhões de euros.
Apesar do entusiasmo oficial, a comunidade agrícola europeia reage com cautela. A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola alerta para riscos no mercado interno, citando a necessidade de rigorosa fiscalização para garantir igualdade competitiva. Jovens agricultores lembram que diferenças nos custos de mão de obra e normas de produtos fitofarmacêuticos podem colocar desafios adicionais.
O acordo também gerou protestos em Berlim, onde cerca de 2.500 manifestantes, acompanhados de 50 tratores, se opuseram ao tratado, temendo pressão e concorrência acrescida para os agricultores locais.
Enquanto empresas celebram novas oportunidades de crescimento económico transatlântico, o acordo marca um marco histórico no comércio global, equilibrando promessa e controvérsia.
Fonte:JN / Foto: GOV.BR