Emigrantes votam mais, mas denunciam obstáculos nas presidenciais
Participação no estrangeiro supera 2021, apesar das longas distâncias, filas e críticas à ausência do voto por correspondência
Publicado em 18/01/2026 16:00 • Atualizado 18/01/2026 16:06
Política
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A participação dos portugueses residentes no estrangeiro nas eleições presidenciais está a crescer em relação a 2021, mas continua marcada por dificuldades significativas, sobretudo devido à obrigatoriedade do voto presencial. Em vários países europeus, muitos emigrantes enfrentam longas deslocações, filas prolongadas e limitações logísticas para exercerem o seu direito cívico.

Em cidades como Paris, Madrid e Bruxelas, a afluência aos consulados e embaixadas portuguesas tem sido elevada desde o início do processo eleitoral. Em França, os números registados nos primeiros dias de votação já ultrapassaram os das presidenciais anteriores, com milhares de eleitores a deslocarem-se aos postos consulares, alguns após percorrerem centenas de quilómetros.

Apesar do forte sentido de dever cívico demonstrado pelos emigrantes, são frequentes as críticas à inexistência do voto por correspondência nas eleições presidenciais, uma opção disponível apenas nas legislativas. Para muitos, a distância aos consulados torna o voto presencial um obstáculo difícil de ultrapassar, especialmente para quem vive fora dos grandes centros urbanos.

Em Espanha, o movimento nos consulados tem sido constante, com mais de mil portugueses a votar em Madrid em apenas dois dias. No entanto, a dispersão geográfica da comunidade portuguesa, aliada às condições meteorológicas adversas, com frio intenso e neve em várias regiões, tem dificultado o acesso às urnas.

Na Bélgica, a forte afluência à Embaixada de Portugal em Bruxelas voltou a evidenciar o interesse da comunidade emigrante nas presidenciais. As filas estenderam-se até ao exterior do edifício e o número de votantes já superou o registado em 2021, alimentando a expectativa de uma participação superior a 10% dos eleitores recenseados no país.

Além da obrigatoriedade do voto presencial, outro entrave apontado pelos emigrantes é a falta de recenseamento automático fora de Portugal. Em alguns casos, eleitores deslocaram-se aos locais de voto apenas para descobrirem que não estavam inscritos, ficando impedidos de participar no ato eleitoral.

Ainda assim, os dados recolhidos apontam para uma maior mobilização da diáspora portuguesa, que, apesar das dificuldades, continua a afirmar a importância do voto como um direito e um dever democrático.

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